O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (25.set.2026) que indivíduos de menor renda apresentam uma vulnerabilidade três vezes maior ao vício em apostas virtuais. A declaração ocorreu no contexto do anúncio, por parte da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de um pacote de diretrizes para banir as bets do território nacional.
Impacto na saúde pública e familiar
De acordo com o titular da pasta, os jogos na internet evoluíram para uma questão de saúde pública que afeta diretamente tanto os participantes quanto seus parentes. O ministro destacou que o hábito compromete finanças, estabilidade emocional, relações familiares e pode se relacionar a episódios de violência doméstica.
“As pessoas não só perdem o dinheiro, elas perdem o controle sobre a sua própria vida”, disse.
Conforme dados apresentados, 35% dos cidadãos que buscaram a ferramenta de autoexclusão relataram perda de domínio sobre o comportamento de apostar.
Dados da plataforma e atendimento digital
O ministério registrou que mais de 1,3 milhão de usuários recorreram ao sistema para bloquear o próprio CPF contra apostas eletrônicas e barrar propagandas do ramo. Desse total, 51% associaram o pedido de autoexclusão diretamente a complicações de saúde.
Além disso, 170 mil pessoas utilizaram o aplicativo Meu SUS Digital para fazer um autoteste e procurar suporte clínico voltado aos reflexos dos jogos. A ferramenta disponibiliza consultas virtuais com especialistas em psicologia e psiquiatria.
Busca por ajuda e perfil dos atendimentos
Apesar de a maioria dos apostadores ser composta por homens, mais de 60% dos usuários que buscam o teleatendimento são do sexo feminino. Parte delas procura suporte devido a transtornos vividos por filhos, cônjuges ou outros parentes envolvidos com os jogos.
O ministro ressaltou que os danos também alcançam mulheres que não apostam, em decorrência da destruição do orçamento familiar, de desentendimentos em casa e de distúrbios mentais ligados ao vício de parentes.
Cronograma da proibição e criminalização
Nesta sexta-feira (25.set), Lula assinou uma medida provisória com validade imediata para vetar a atuação das bets no Brasil. A normativa cessa novos depósitos e estabelece o prazo até as 23h59 de 5 de outubro para que os usuários resgatem seus saldos nas plataformas. Os sites sofrerão bloqueio a partir de 6 de outubro.
Em paralelo, a administração federal encaminhará ao Congresso uma proposta legislativa para tornar crime a operação de apostas. A medida provisória possui efeito imediato, mas exige aval do Legislativo em um prazo de até 120 dias para manter sua vigência.
Padilha garantiu que os reflexos sanitários das apostas persistirão mesmo após o veto e pontuou que a rede pública manterá o suporte aos cidadãos atingidos.
“Os efeitos que ele causou vão continuar chegando no sistema de saúde”, afirmou.
Segundo o chefe da pasta, o SUS (Sistema Único de Saúde) passou a disponibilizar 100 mil teleconsultas mensais para esse tipo de suporte, serviço que iniciou com 600 atendimentos em março e sofreu expansão no mês de agosto.










