O que começou como uma simples enquete nas redes sociais acabou expondo um problema estrutural no transporte coletivo entre Floresta e Maringá.
A moradora Lourdes Alves, conhecida como Luh Alves, buscava ouvir a população sobre a cidade, mas se deparou com uma queixa recorrente: a precariedade no transporte.
Relatos apontam superlotação, poucos horários e dificuldades principalmente à noite. Um dos pontos mais críticos é o intervalo entre linhas — atualmente, a principal opção é a circular das 19h30 (Floresta), que já opera com superlotação. Quem não consegue embarcar nesse horário precisa aguardar até às 23h, enfrentando um intervalo de aproximadamente 3 horas e 30 minutos, chegando em casa próximo da 1h da manhã.
A mobilização resultou em um abaixo-assinado com cerca de 600 assinaturas, reunindo também depoimentos e registros da população.











Na tentativa de entender a responsabilidade pelo serviço, Lourdes acionou a Prefeitura de Floresta com base na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). A resposta indicou que a gestão do transporte intermunicipal é estadual, vinculada ao DER.
Foi então que surgiu o principal ponto da investigação. Em resposta oficial, o DER afirmou que “todas as linhas regulares de serviço público intermunicipal de passageiros estão com contratos de concessão vencidos, por mais de 30 anos, e em operação provisória até nova licitação.”
A partir disso, Lourdes analisou o contrato nº 193/2011, firmado entre Maringá e a empresa responsável, e identificou inconsistências práticas frente à realidade. Entre elas, a superlotação recorrente — incompatível com a qualidade esperada do serviço — e falhas na oferta adequada aos passageiros.
O próprio contrato prevê “uma série de obrigações à concessionária”, incluindo estrutura e condições adequadas, o que, segundo os relatos coletados, não vem sendo plenamente atendido.
Com documentos, assinaturas e registros em mãos, o caso foi levado ao Ministério Público. Segundo o órgão, a denúncia foi considerada bem fundamentada, destacando a existência de “omissão licitatória há mais de 30 anos admitida pelo DER”, além dos impactos diretos na qualidade e segurança do serviço.
O MP também aponta que a falha na mobilidade “transcende os limites locais”, caracterizando um problema regional que envolve cidades como Maringá, Paiçandu, Sarandi, Mandaguaçu e Itambé.
O caso foi encaminhado para as Promotorias de Maringá, onde novas representações já foram protocoladas.
Outro ponto levantado é a ausência de transporte interbairros em Floresta. Segundo relatos, especialmente de mulheres, a falta desse serviço obriga deslocamentos longos e inseguros no período noturno. Um pedido formal já foi feito ao executivo municipal, que ainda está dentro do prazo legal para resposta.
Para Lourdes, o avanço agora depende também da população: “A gente já conseguiu provar que o problema existe. Agora é continuar mostrando a realidade e cobrando soluções”, explica.
O caso segue em análise e pode avançar para investigação formal e o Portal Expressão Paraná. vai acompanhar o desenrolar de todo o caso, entendendo e explicando à comunidade os próximo passos.











Isso é uma vergonha pro município