Uma eventual união corporativa entre a SpaceX e a Tesla tem o potencial de conferir ao empresário Elon Musk uma influência política e um poder de voto significativamente maiores nas duas organizações, dispensando o cumprimento integral de todas as exigências previstas em seus atuais programas de remuneração.

Impactos no controle acionário

Além de mexer com a governança, a operação também seria capaz de modificar as regras para a liberação de fatias de um pacote de ações da fabricante de veículos elétricos que já está avaliado em até US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões).

As discussões sobre o tema avançaram após comitês especiais serem formados pelos conselhos de administração de ambas as marcas, conforme revelado em uma reunião sobre o desempenho financeiro da empresa aeroespacial.

Diferenças entre os planos de remuneração

Na montadora de carros, o acordo validado pelos acionistas estipula critérios rigorosos de valorização de mercado e marcos operacionais desafiadores, a exemplo da inserção de 1 milhão de robotáxis em circulação — patamar que ainda não foi alcançado.

Mesmo que todos os objetivos fossem atingidos, a participação de Musk no comando de votos da fabricante ficaria em torno de 29%, conforme apontam registros oficiais divulgados pela própria diretoria.

Por outro lado, o modelo aplicado na companhia de exploração espacial adota outra lógica. O projeto de bônus atrela os papéis a desafios de longo prazo, como a fundação de uma cidade com 1 milhão de habitantes em Marte e a implantação de centrais de processamento de dados fora da Terra.

Apesar de não ter o direito ao rendimento financeiro de imediato, o executivo garantiu o direito a voto correspondente a esses papéis logo na largada, concentrando 85% das decisões na empresa.

Projeções financeiras e cenários futuros

Levantamentos realizados pelo banco Barclays apontam que, caso ocorra a absorção da fabricante de veículos pela companhia espacial, Musk reteria aproximadamente 37% de participação no grupo resultante, mas responderia por 56% dos votos totais.

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Essa discrepância ocorre porque as ações de categoria especial emitidas pela empresa de foguetes garantem dez vezes mais peso decisório do que os papéis tradicionais, formato que não existe na estrutura da montadora.

As regras internas da Tesla preveem que, diante de uma alteração de controle acionário como uma aquisição, as exigências operacionais poderiam ser ignoradas, bastando atingir patamares específicos de capitalização de mercado para a entrega de ações.

Com a capitalização atual girando em torno de US$ 1,6 trilhão (R$ 8,64 trilhões), a marca de US$ 2 trilhões (R$ 10,8 trilhões) seria o gatilho para liberar o primeiro lote de bônus ao executivo, equivalente a US$ 20 bilhões (R$ 108 bilhões) em papéis.

Enquanto isso, o formato de remuneração da empresa aeroespacial permanece menos rígido quanto a uma fusão, abrindo margem para que os conselheiros façam alterações profundas nos termos estabelecidos.

Especialistas do setor avaliam que o conjunto de metas espaciais e tecnológicas, caso atinja o teto máximo de valorização projetado por consultorias especializadas, poderia elevar o montante das ações do pacote a patamares multibilionários.