O pré-mercado da Bolsa de Nova York registrou uma forte onda de perdas para os papéis de companhias do Brasil nesta segunda-feira, logo após a confirmação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu seu quarto mandato nas urnas. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia saído vitorioso do primeiro turno no começo deste mês, optou por não admitir o revés eleitoral.

Impacto nos principais papéis negociados no exterior

As perdas atingiram gigantes corporativas brasileiras com forte presença internacional. A Petrobras PBR teve queda estimada em 25,25%, ao passo que o Itaú Unibanco ITUB sofreu um tombamento superior a 27%. Outra instituição financeira de peso, o Bradesco BBD, registrou desvalorização drástica de 28,01%.

No segmento de tecnologia e comércio eletrônico, o Mercado Livre MELI e o Nubank NU também sentiram o impacto negativo, recuando cerca de 24% e 10,3%, respectivamente. O principal fundo de índice brasileiro negociado no exterior, o ETF iShares MSCI Brasil EWZ, despencou mais de 26% antes da abertura oficial dos negócios.

Reação dos analistas e cenário fiscal

Especialistas apontam que a preferência dos investidores estava voltada para a oposição, na expectativa de medidas de cunho liberal em meio a um cenário de descontrole nas contas públicas e escalada nos juros.

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“A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base. Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal. Essa expectativa se traduziu na melhora da Bolsa, principalmente após o resultado do primeiro turno”, avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Para os próximos dias, a expectativa é de ajustes acentuados nos preços dos ativos e instabilidade nos indicadores financeiros nacionais. “Isso deve gerar uma volatilidade bastante grande no câmbio e na curva de juros futura, com possível estresse no mercado de títulos públicos. A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado”, avalia o especialista.