Desde a primeira eleição presidencial direta do atual período democrático, em 1989, nenhum candidato que terminou o 1º turno em 2º lugar venceu a disputa no 2º. Nas sete eleições decididas em duas votações, o líder da primeira etapa foi eleito presidente. Esse tabu histórico é colocado à prova neste domingo (25.out.2026), na disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A menor margem da história
Flávio liderou o 1º turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. A diferença de 1,87 ponto percentual entre os dois primeiros colocados foi a menor registrada nessa etapa desde 1989. Uma vitória de Lula em 2026 quebraria a sequência: seria a primeira vez que o candidato que terminou o 1º turno em segundo lugar chegaria à Presidência.
Retrospectiva das votações
A primeira eleição presidencial com segundo turno depois da redemocratização foi realizada em 1989. Fernando Collor de Mello (PRN) liderou o 1º turno com 30,48% dos votos válidos, contra 17,19% de Lula. Na segunda votação, Collor venceu por 53,03% a 46,97%. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no 1º turno, sendo as únicas eleições presidenciais decididas sem uma segunda votação nesse período.
Em 2002, Lula liderou o 1º turno com 46,44% dos votos válidos, enquanto José Serra (PSDB) recebeu 23,20%. O petista venceu a segunda votação por 61,27% a 38,73%. Quatro anos mais tarde, Lula terminou o 1º turno com 48,61%, ante 41,64% de Geraldo Alckmin (então no PSDB), sendo reeleito com 60,83% dos votos válidos no segundo turno.
Disputas recentes
Em 2010, Dilma Rousseff (PT) recebeu 46,91% no 1º turno, contra 32,61% de Serra, vencendo a segunda votação com 56,05%. Em 2014, Dilma liderou novamente a primeira votação, com 41,59% dos votos válidos, contra 33,55% de Aécio Neves (PSDB), e foi reeleita por 51,64% a 48,36%.
Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) liderou o 1º turno com 46,03%, enquanto Fernando Haddad (PT) recebeu 29,28%, com vitória de Bolsonaro na segunda votação por 55,13%. Já em 2022, Lula recebeu 48,43% dos votos válidos no 1º turno, ante 43,20% de Jair Bolsonaro (PL), vencendo o segundo turno com 50,90% contra 49,10%, configurando a menor diferença na votação decisiva entre as sete eleições presidenciais brasileiras com segundo turno.










