O cenário das disputas presidenciais na América do Sul tem servido de termômetro para a política brasileira, especialmente diante da necessidade de reversão no segundo turno. Países vizinhos como Argentina e Chile registraram recentemente reviravoltas marcantes em suas urnas, beneficiando nomes do espectro conservador que haviam terminado a etapa inicial atrás de seus opositores.
A reviravolta na Argentina em 2023
Na Argentina, o pleito de outubro de 2023 ilustra com clareza essa dinâmica. O atual mandatário, Javier Milei, do La Libertad Avanza, concluiu a primeira fase na segunda colocação, alcançando 29,99% dos votos válidos, enquanto o representante governista Sergio Massa, da Unión por la Patria, liderou com 36,78%.
A corrida foi decidida na etapa seguinte, quando o quadro se inverteu drasticamente. Milei conquistou a vitória com 55,65% da preferência popular, superando os 44,35% do rival peronista.
O peso da transferência de votos
Um dos elementos cruciais para o triunfo argentino foi a migração do eleitorado dos nomes eliminados na fase anterior, que juntos representavam mais de um terço do total de sufrágios. A terceira colocada na disputa, Patricia Bullrich, declarou apoio a Milei antes da votação decisiva e posteriormente integrou a gestão como ministra da Segurança até 2025.
O precedente chileno de 2025
Uma movimentação análoga ocorreu no Chile em novembro de 2025. Na ocasião, a representante da esquerda Jeannette Jara, da coalizão Unidad por Chile, sobressaiu-se na etapa inicial, deixando o direitista José Antonio Kast, do Partido Republicano, na segunda posição.
Apesar da liderança inicial da esquerda, a forte presença de correntes de centro-direita e direita no primeiro turno pavimentou o caminho para uma ampla consolidação de apoios em torno de Kast na rodada definitiva. No embate final, realizado em dezembro de 2025, o candidato conservador garantiu o posto com cerca de 58,2% dos votos, deixando Jara com 41,8%.










