Secretarias afirmam que paciente é acompanhado há anos pelo município; em entrevista, ele confirmou receber atendimento, enquanto a família também negou abandono.

O Portal Expressão Paraná ouviu representantes das secretarias municipais de Assistência Social e Saúde de Engenheiro Beltrão, além de familiares e do próprio paciente Reginaldo, conhecido popularmente como “Marrom”, para esclarecer informações divulgadas nas redes sociais sobre um suposto abandono no atendimento ao homem, que enfrenta problemas relacionados ao consumo de álcool.

Em entrevista, a secretária municipal de Assistência Social, Sandra, afirmou que Reginaldo recebe acompanhamento do município desde 2016. Segundo ela, os atendimentos incluem visitas domiciliares, fornecimento de cestas básicas, auxílio com a conta de luz e entrega de materiais de higiene, roupas e toalhas de banho.

Sandra relatou que esteve na residência do paciente e destacou que a equipe mantém acompanhamento próximo. De acordo com a secretária, uma das principais dificuldades é a resistência de Reginaldo à internação e ao comparecimento às consultas agendadas pela rede de saúde.

“Ele é atendido pelo CRAS, como todos os outros que nos procuram, e acompanhado semanalmente pela assistente social”, afirmou.

A secretária também explicou que, diante do agravamento recente do quadro de saúde, profissionais do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) realizaram uma visita à residência, em conjunto com a coordenação do serviço. Na ocasião, o paciente apresentava dificuldades para se levantar, e uma ambulância foi acionada para encaminhá-lo novamente à Santa Casa.

Saúde confirma acompanhamento e possibilidade de internação

A secretária municipal de Saúde, Ana Deise, confirmou que Reginaldo também é acompanhado pela equipe de saúde da região onde reside. Segundo ela, o paciente possui histórico de atendimento e relatório de acompanhamento elaborado pelos profissionais.

Ana Deise informou que a equipe do Programa Saúde da Família (PSF) esteve na residência do homem e que a Secretaria de Saúde pretende realizar novamente o cadastro na Central de Leitos para buscar uma possibilidade de internação especializada.

A secretária ressaltou, porém, que a internação para tratamento da dependência de álcool depende, em regra, da concordância do paciente. Uma eventual medida judicial, segundo ela, envolve procedimentos específicos e não ocorre de maneira imediata.

A titular da pasta também esclareceu que a Santa Casa não é administrada diretamente pelo município, embora receba recursos municipais para atendimento da população.

Família e paciente confirmam atendimento

Durante a reportagem, a equipe do Portal Expressão Paraná esteve na Santa Casa de Engenheiro Beltrão, com autorização do irmão do paciente, Alexandro da Silva, conhecido como “Gwyn”.

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Ao falar sobre a situação do irmão, Alexandro afirmou que ele enfrenta dificuldades desde que passou a consumir álcool de forma excessiva e negou que tenha sido abandonado.

A equipe também conversou com Reginaldo, que confirmou receber atendimento dos serviços públicos. Questionado sobre o acompanhamento, ele respondeu afirmativamente e mencionou que recebe visitas, medicamentos e alimentos.

Apesar disso, durante a entrevista, o paciente demonstrou não ter interesse em passar por internação para tratar a dependência de álcool.

Caso evidencia desafios no tratamento

As entrevistas apontam que Reginaldo recebe acompanhamento das equipes municipais de Assistência Social e Saúde, mas enfrenta dificuldades relacionadas à continuidade do tratamento e à resistência à internação.

O caso evidencia os desafios enfrentados pela rede pública no atendimento a pessoas com dependência de álcool, especialmente quando há recusa ao tratamento especializado.

O Portal Expressão Paraná seguirá acompanhando a situação, com atenção à saúde e à dignidade do paciente, bem como à atuação dos serviços públicos envolvidos.