O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou o envio da Força Nacional de Segurança Pública para a área da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no estado do Pará. A operação emergencial terá duração inicial de 90 dias e abrangerá o apoio integrado às forças policiais federais e estaduais da região.

Operação coordenada pela Polícia Federal

A presença dos agentes federais tem como foco central a preservação da ordem pública, além da salvaguarda de cidadãos e dos bens materiais na localidade. Conforme estabelece a Portaria nº 1.321/2026, veiculada nesta segunda-feira (19.out.2026), a mobilização possui caráter planejado e restrito no tempo.

As equipes atuarão de forma integrada com as autoridades policiais do Pará, mantendo alinhamento operacional sob a supervisão direta da Polícia Federal. Cabe ao órgão solicitante da intervenção providenciar toda a infraestrutura e o suporte logístico exigidos para a permanência da tropa. Por sua vez, a definição do quantitativo exato de efetivo mobilizado caberá à Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, órgão subordinado à Secretaria Nacional de Segurança Pública da pasta ministerial.

Histórico e marco de uma década

O complexo energético instalado no Rio Xingu celebrou recentemente dez anos desde sua inauguração oficial. A concepção do projeto remonta aos anos 1970, gerando forte repercussão global desde a formulação do plano para desviar expressiva parcela da vazão do rio em um trecho de extensão significativa para abastecer o reservatório.

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Para assinalar a passagem da data, organizações como o Conselho Indigenista Missionário, a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira emitiram uma manifestação pública conjunta. O texto enfatiza a necessidade de salvaguardar as populações tradicionais, ribeirinhas e pescadores artesanais afetados na região do médio Xingu, apontando a intensificação de impactos sobre esses grupos ao longo dos anos, intensificados por transformações climáticas.

Operada pela concessionária Norte Energia — principal acionista do empreendimento — desde o final da década passada, a hidrelétrica supre uma parcela expressiva da eletricidade consumida anualmente em território nacional. Dados divulgados pela empresa apontam aportes financeiros superiores a R$ 8 bilhões direcionados ao cumprimento de exigências socioambientais estabelecidas no processo de licenciamento.