O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou qualquer irregularidade nas transações envolvendo o BRB (Banco de Brasília) durante um novo depoimento prestado à Polícia Federal na quinta-feira (15.oct.2026). O ex-banqueiro classificou as acusações de um rombo de R$ 12 bilhões como uma “narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo”.

Detalhes das operações financeiras

O interrogatório ocorreu no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde ele cumpre prisão preventiva. Segundo a defesa, o investigado respondeu “de forma colaborativa” a todos os questionamentos feitos pelos agentes.

Perante os investigadores, Vorcaro sustentou que os acordos firmados entre as duas instituições financeiras consistiram em “negócios absolutamente lícitos, embasados in decisões técnicas e colegiadas tomadas pelas instâncias de governança de ambas as instituições, sem gerar qualquer prejuízo ao BRB”.

Ações judiciais e repercussão

Os representantes legais do ex-banqueiro informaram ainda que protocolarão na sexta-feira (16.oct) “uma contestação na esfera cível e pedirá a realização de perícia a fim de sepultar” as acusações sobre as supostas irregularidades financeiras.

Durante a oitiva, o empresário argumentou que a situação crítica enfrentada atualmente pelo banco público decorre da execução, na visão dele, “açodada” da operação Compliance Zero. Ele pontuou que a investida policial “envolveu a instituição num enredo falso de suposta fraude bilionária, abalando a confiança indispensável para o regular funcionamento de um banco”.

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O avanço da operação compliance zero

As apurações sobre o caso iniciaram em novembro de 2025, com autorização da 10ª Vara Federal de Brasília, e posteriormente migraram para o Supremo Tribunal Federal em dezembro do mesmo ano, sob a condução inicial do ministro Dias Toffoli. A relatoria passou para o ministro André Mendonça em fevereiro de 2026.

Ao longo de nove fases deflagradas pela Polícia Federal, as investigações alcançaram diversos alvos de expressão nacional. A primeira fase ocorreu em 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi detido ao tentar deixar o país. Entre as etapas seguintes, destacam-se a prisão de ex-dirigentes do BRB, o bloqueio de bilhões em bens, além de mandados cumpridos contra parlamentares como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o senador Jaques Wagner (PT-BA), além de buscas ligadas ao ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ).

Atualmente, além de responder aos inquéritos e cumprir a detenção preventiva na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após ser novamente preso em março, o fundador do Banco Master aguarda a análise de uma proposta de delação premiada entregue ao STF, cujo parecer definitivo pelo magistrado relator deve demorar algumas semanas.