conteúdos digitais voltados a pregar a subordinação feminina ganharam tração entre coletivos ultraconservadores nos Estados Unidos. Nas plataformas de mídia social, correntes mais radicais chegam a propor a revogação do sufrágio feminino, sugerindo em seu lugar a adoção do chamado voto familiar — sistema em que o patriarca assume a responsabilidade de decidir e votar em nome do núcleo doméstico.

A chegada da pauta ao cenário brasileiro

Essa onda com viés antifeminista tem alcançado repercussão no Brasil, nação onde as mulheres conquistam o direito de ir às urnas desde 1932, ao passo que o sufrágio norte-americano completou mais de cem anos. O avanço dessa retórica ocorre de forma paradoxal: a disputa eleitoral recente registrou tanto o expressivo desempenho de candidaturas alinhadas a esse pensamento quanto a formação da maior bancada feminina da história do Congresso Nacional, que contabilizou 109 deputadas federais eleitas.

Análise das especialistas convidadas

Para dissecar o tema, o programa conduzido por Natuza Nery reuniu acadêmicas de destaque. Inicialmente, a professora de relações internacionais da UFRS, Tatiana Vargas Maia, detalha os alicerces e os propósitos do grupo que contesta a participação feminina no processo eleitoral. Na sequência, a cientista política e pesquisadora da USP e da UnB, Marina Basso Lacerda, examina de que maneira esse comportamento se manifestou concretamente no pleito nacional.

Contexto político e desdobramentos

O debate sobre o papel das mulheres na política e na sociedade contemporânea permanece no centro das atenções, englobando desde a atuação de influenciadoras conservadoras alinhadas a propostas de governo nos Estados Unidos até o comportamento político da geração Z no país. Enquanto correntes extremistas tentam emplacar discursos de retrocesso constitucional, o contraponto institucional se revela na ocupação recorde de cadeiras legislativas por parlamentares mulheres.

Leia também