Em um amplo plano de reestruturação operacional, a BioNTech confirmou o encerramento das atividades de três complexos industriais na Alemanha. A decisão atingirá aproximadamente 1.800 trabalhadores e consolida a saída da farmacêutica da produção nacional de imunizantes contra a covid-19, cuja fabricação foi inteiramente transferida para a parceira norte-americana Pfizer.
Cronograma de desativação das unidades industriais
O processo de desmobilização fabril ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos anos. A fábrica de Tübingen — que abrigava a sede da CureVac, adquirida pela companhia em meados de 2025 — terá suas operações encerradas no final de 2027. Em seguida, a planta de Marburg fechará no início de 2028, enquanto a instalação de Idar-Oberstein concluirá as atividades no fim do mesmo ano.
A farmacêutica alemã chegou a avaliar a venda das instalações para conter o impacto dos cortes de pessoal, mas as negociações não avançaram diante da retração do mercado e do desaquecimento nos investimentos globais do setor. Com o fechamento das plantas, a empresa sediada em Mainz projeta economizar cerca de 500 milhões de euros ao ano a partir de 2029.
Queda nas receitas e guinada estratégica para a oncologia
Após atingir faturamento bilionário e notoriedade mundial com a vacina da covid-19, a BioNTech enfrenta um cenário de acentuada redução na demanda por doses de reforço. Sem nenhum outro medicamento aprovado para comercialização até o momento, a organização vem registrando resultados financeiros negativos. No primeiro semestre de 2026, as perdas líquidas atingiram 1,35 bilhão de euros, superando o prejuízo de 802,4 milhões de euros anotado em igual intervalo de 2025.
Diante desse quadro, os recursos poupados com os fechamentos serão canalizados prioritariamente para pesquisas em oncologia. A empresa, que conta com cerca de 7.200 colaboradores globalmente, concentra seus esforços científicos em:
- Imunoterapias baseadas na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA);
- Conjugados anticorpo-fármaco, mecanismo que transporta quimioterápicos com alta precisão diretamente às células tumorais.
Transição de liderança e saída dos fundadores
A reformulação estrutural coincide com uma mudança profunda no comando da farmacêutica. O casal de cientistas fundadores, Uğur Şahin e Özlem Türeci, deixará suas funções executivas até o encerramento de 2026 para iniciar um novo empreendimento biotecnológico, batizado de Arife e sediado também em Mainz, voltado à próxima geração de medicamentos de mRNA. Ambos continuarão figurando como acionistas da BioNTech.
Para conduzir o novo ciclo da organização, Guido Oelkers assumirá a presidência-executiva antes de 1º de fevereiro de 2027. O executivo liderava desde 2017 a sueca Swedish Orphan Biovitrum (Sobi) e possui histórico no setor farmacêutico internacional, incluindo passagem pela alemã Hoechst AG.










