A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom mais agressivo na propaganda televisiva do segundo turno, concentrando os ataques diretamente contra Flávio Bolsonaro (PL). O novo programa eleitoral estrutura sua narrativa em torno de um alerta ao eleitorado: a vitória do adversário colocaria em risco direitos e benefícios obtidos pela população nos últimos anos.

Jogo de palavras e ataques diretos ao adversário

O roteiro explora o duplo sentido do verbo “entregar”. Enquanto o presidente é apresentado como alguém que “entrega” realizações à sociedade, o senador é qualificado como um “entregador” que pretende “entregar o Brasil” aos norte-americanos. A propaganda também eleva a temperatura ao afirmar que o parlamentar “não entrega nem os comprovantes” de valores supostamente recebidos de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, além de chamá-lo de “amigo de bandido”.

A ofensiva reflete uma mudança tática deliberada no comitê petista. Em vez de combater o bolsonarismo como uma corrente política genérica, os marqueteiros decidiram personalizar o confronto na figura de Flávio, expondo suas posições individuais e possíveis repercussões de um eventual mandato.

Defesa de benefícios e foco no custo de vida

Logo na abertura, a propaganda adverte que “não existe botão de voltar atrás” e faz um apelo para que ninguém “leve o que você conquistou”. Para respaldar o discurso realizador, a peça destaca iniciativas recentes da gestão petista, como o programa Pé-de-Meia, voltado a 7 milhões de estudantes, a faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5.000, a cobrança sobre super-ricos e a PEC da escala 6×1 sem redução salarial.

Essas ações foram agrupadas para formar uma mensagem coesa sobre a redução do custo de vida. No programa, Lula critica o que classifica como uma “balança injusta”, argumentando que proprietários de jatinhos pagavam proporcionalmente menos impostos do que trabalhadores de aplicativo, e milionários recolhiam menos tributos que a massa assalariada. Em contrapartida, a propaganda atrela o senador à defesa das empresas de apostas esportivas, apresentadas como um perigo ao orçamento das famílias.

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Apelo à prosperidade e ao empreendedorismo

Para o restante da disputa, o plano petista busca projetar uma ideia de prosperidade e continuidade administrativa. As promessas incluem zerar tributos sobre itens de higiene e alimentação, acabar com a jornada 6×1 e promover a integração das forças de segurança pública.

Ao mesmo tempo, a comunicação tenta furar a bolha dos programas assistenciais convencionais para alcançar pequenos autônomos e a classe trabalhadora, exemplificados em relatos de motoristas de aplicativo e donas de salões de beleza. Conforme enfatiza a propaganda ao defender que a atual gestão abriu portas para a mobilidade social, “Brasileiro não quer favor, quer oportunidade para crescer”.