A corrida pelo Palácio do Planalto no segundo turno transferiu grande parte de suas energias para as telas dos celulares. As equipes de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) transformaram grupos de mensagens e perfis de criadores de conteúdo em centros nervosos de mobilização eleitoral, buscando pautar o debate público e engajar fatias estratégicas do eleitorado.

PT reestrutura presença online com núcleo de influenciadores

Diante do cenário desenhado pelas urnas na primeira etapa, a candidatura petista montou uma central de operações em Brasília voltada exclusivamente para o ambiente virtual. A força-tarefa, que reuniu nomes jovens da política e influenciadores digitais com o presidente entre quarta-feira (7) e sexta-feira (9), simboliza uma mudança de rota na comunicação partidária.

O secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, admitiu que a performance no primeiro turno exigiu rever os métodos: “Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, afirmou. Caso a liderança tivesse sido alcançada logo no início, a tendência seria manter o padrão anterior.

Parlamentares eleitos passaram a encabeçar essa articulação em rede. Enquanto a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) reforçou a urgência de a esquerda ocupar espaços digitais consolidados pela direita nos últimos anos, nomes como Érika Hilton (PSOL-SP) atraem apoiadores para comunidades temáticas. No mesmo sentido, André Janones (Rede-MG) comanda o grupo Exército do Lula, focado no cumprimento de metas de compartilhamento.

De acordo com o deputado eleito Jones Manoel (PSOL-PE), as discussões do grupo também visam alcançar jovens, mulheres e famílias de menor renda com propostas como a tarifa zero nos transportes, o combate ao custo de vida e a abertura de novos postos de trabalho.

Reação do PL articula grupos próprios e rebate acusações

O campo governista respondeu de forma imediata com o lançamento da Tropa do Flávio, comunidade digital impulsionada por lideranças do partido. Em gravação publicada para convocar a militância, o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) resumiu o objetivo: “É aqui que nós vamos contrapor esse pessoal”.

O próprio Flávio Bolsonaro subiu o tom contra as ações adversárias durante transmissão online realizada na quinta-feira (8): “Vocês estão vendo aí a grande facção digital que o PT criou para inventar um monte de fake news, espalhar essas fake news por aí. É uma atrás da outra”, declarou.

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A contraofensiva conta com forte tração de nomes populares da direita. Nikolas Ferreira (PL-MG), que reúne mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, elaborou vídeos contestando declarações petistas, enquanto Pablo Marçal atuou na divulgação direta da comunidade de apoiadores de Flávio.

O papel dos canais de mensagem na reta final

Embora as campanhas informem que esses canais não mantêm vínculo institucional direto com os comitês, a dinâmica dos grupos opera de forma coordenada. O ecossistema digital atua em frentes bem definidas:

  • Distribuição de tarefas: estipulação de metas diárias de envio de links e conteúdos.
  • Ampliação de base: engajamento ativo para atrair novos membros e multiplicar o alcance.
  • Respostas rápidas: produção acelerada de vídeos curtos para neutralizar os discursos adversários.

A equipe do senador do PL também direciona esforços para combater boatos em circulação, como a afirmação de que ele retiraria o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida e uma gravação com voz sintetizada por inteligência artificial que mencionava supostos cortes em aposentadorias e no 13º salário.

Com o pleito cada vez mais próximo, a disputa pelo controle da narrativa nas plataformas de mensagens consolida-se como um dos fatores decisivos para convencer indecisos e mobilizar quem se absteve na rodada inicial de votação.