O Internacional foi alvo de um bloqueio preventivo que restringe o registro de novos atletas, determinado na última quinta-feira (8.out.2026) pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anvisa). O órgão, vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atua na fiscalização do fair play financeiro no esporte nacional. A sanção decorre da submissão de um plano de parcelamento coletivo de débitos à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
Impacto limitado pelas punições da Fifa
Na prática, a determinação não altera de forma imediata o cenário do clube colorado no mercado da bola. Isso acontece porque a instituição já enfrenta uma proibição para inscrever novos jogadores devido a duas penalidades impostas anteriormente pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).
As restrições internacionais estão associadas a débitos pendentes em negociações passadas: a aquisição do lateral-esquerdo Ramon, junto ao Olympiakos (Grécia), e a contratação de Juninho, obtido do Midtjylland (Dinamarca). Vale destacar que Ramon já não integra o elenco atual, tendo sido emprestado ao Vitória.
Regras para liberação de novos cadastros
A penalidade imposta pela Anvisa possui um funcionamento distinto das sanções aplicadas pela entidade máxima do futebol mundial. O time gaúcho não perde o direito automático de inscrever atletas, porém passa a depender de um aval prévio da agência reguladora para finalizar qualquer contratação.
Para conceder o sinal verde a um reforço, a autarquia exige que a diretoria mantenha um saldo financeiro positivo acumulado através de negociações de atletas durante a janela vigente. Além disso, a soma das taxas e comissões da nova operação com os montantes já gastos no período não pode ultrapassar o total faturado com vendas.
Controle sobre a folha de pagamento
Outro ponto fiscalizado pelo órgão é o teto dos salários. A agência checa se a folha de pagamento do departamento de futebol e da comissão técnica cumpre o teto mensal determinado pelo Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF).
A norma estipula que os vencimentos não podem exceder a média registrada nos seis meses antecedentes ao chamado Evento de Insolvência, status previsto nas regras para equipes que iniciam determinados processos de reequilíbrio financeiro.
Plano para quitar R$ 31 milhões
O clube porto-alegrense enquadrou-se nessa situação ao protocolar na CNRD, em 4 de setembro de 2026, uma estratégia para parcelar pendências com credores. Inicialmente, a iniciativa abrange R$ 31 milhões em obrigações ligadas ao meio esportivo, montante que pode subir à medida que novos credores aceitem o acordo.
Esta é a segunda vez que a Seção 8 do RSSF é acionada no cenário nacional. O regulamento começou a valer em 1º de janeiro de 2026, sendo que o Grêmio foi a primeira equipe a sofrer restrição semelhante no mês de agosto.
Logo após a repercussão da medida, a diretoria colorada se manifestou por meio de uma nota oficial. O clube afirmou que apresentou o plano para reorganizar suas dívidas e adequar os pagamentos à sua capacidade financeira.










