Um hacker suspeito de participar de ataques cibernéticos contra pelo menos nove bancos da Coreia do Sul pode ter revelado informações sobre sua própria identidade ao utilizar o Claude, inteligência artificial da Anthropic. Segundo uma investigação da empresa de segurança CrowdStrike, as pistas apontam para um jovem de 26 anos que estaria localizado na China.

Como o invasor foi exposto A descoberta ocorreu durante uma análise sobre o uso de inteligência artificial para automatizar invasões contra instituições financeiras. O suspeito utilizou o ARTEX, uma ferramenta de código aberto desenvolvida na China, e empregou o Claude Code em sua infraestrutura. Em uma das interações, o invasor pediu ajuda para elaborar um currículo de pesquisador de segurança. O pedido continha dados como idade, formação acadêmica, telefone, conta no Telegram e localização em Maoming, na província de Guangdong.

Inconsistências e motivações A pessoa descrita teria 26 anos e estudado na Universidade de Tecnologia do Sul da China, embora a investigação tenha encontrado divergências em datas. A CrowdStrike avalia, com grau moderado de confiança, que o responsável fala chinês e possui motivações financeiras. À Reuters, um homem que atendeu ao número telefônico identificado afirmou desconhecer o caso, enquanto o governo chinês declarou não ter informações sobre o episódio e reiterou oposição a invasões cibernéticas.

Alvos no sistema financeiro Os ataques ocorreram entre o final de setembro e o início de outubro, comprometendo dados de clientes em instituições como Shinhan Bank, KB Kookmin Bank, Hana Bank e Woori Bank. O Shinhan Bank confirmou o vazamento de informações de cerca de 25 mil pessoas, e a Comissão de Serviços Financeiros convocando reuniões emergenciais e o presidente ordenando investigações mais amplas.

Leia também

Impacto ampliado e investigação A onda de incidentes também atingiu grandes igrejas sul-coreanas, como a Yoido Full Gospel Church, com possível comprometimento de dados de até 850 mil integrantes. Para especialistas, o uso de agentes de IA permite automatizar etapas e ampliar o alcance das ameaças. Segundo Adam Meyers, vice-presidente de operações de combate a ameaças da CrowdStrike, a tecnologia pode ampliar significativamente a quantidade de alvos atingidos por uma mesma pessoa.