O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, teve uma reunião na sede da Corte com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhado do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, e do agente Denis de Carli. A conversa ocorreu em uma terça-feira, mas o compromisso ficou ausente da agenda oficial do magistrado.

Contexto das investigações

O encontro acontece em meio a suspeitas sobre a conduta de Moraes, que teria atuado de maneira irregular para orientar e proteger Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Um relatório elaborado pela corporação policial apontou que o empresário enviou 52 mensagens ao ministro antes de ser preso, recebendo respostas em textos e imagens de visualização única. Documentos detalham os contatos entre o ex-dono da instituição financeira, atualmente preso sob acusação de corrupção, e o integrante da Suprema Corte. O plenário evitou analisar imediatamente se o magistrado deveria ser investigado, adiando a decisão por até 90 dias.

Afastamento e reviravolta

O relatório da corporação também detalhou ligações entre Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com Vorcaro. No entanto, o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada passaram a ser investigados sob suspeita de espionar ministros do STF, o que motivou o afastamento temporário de ambos por um dia.

A pauta do encontro recente não foi divulgada publicamente. A situação gerou questionamentos, pois colocou frente a frente dois agentes públicos sob suspeita de crimes e um ministro do Supremo que enfrenta acusações semelhantes, sendo a própria corporação a responsável por eventuais apurações complementares.

Histórico de conflitos internos

Em 8 de setembro de 2026, o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e Almada, apontando indícios de monitoramento ilegal de magistrados sem autorização judicial. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou o retorno imediato da dupla ao argumento de que o afastamento prejudicaria operações em andamento, aceitando um recurso apresentado diretamente pelos policiais.

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O presidente da Corte, Edson Fachin, optou por não reverter a decisão de Dino e estabeleceu um prazo para que Andrei Rodrigues prestasse esclarecimentos. O chefe da PF, que atuou como segurança na campanha presidencial de 2022 e participou de eventos patrocinados pelo Banco Master em Londres ao lado de Moraes, negou as irregularidades dentro do prazo estipulado.

Após receber a resposta, Fachin encaminhou o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da República, cujo parecer ainda não foi emitido. Às vésperas do primeiro turno das eleições, o presidente do STF defendeu a apuração rigorosa sobre o envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master, enquanto Andrei Rodrigues e Leandro Almada seguem nos cargos.