O governo da Noruega pretende proibir temporariamente o uso de óculos inteligentes em determinados espaços públicos, a exemplo de creches, escolas, praias e parques. A medida busca impedir registros audiovisuais de cidadãos sem autorização e abrir espaço para discussões sobre normativas definitivas para essa inovação tecnológica.

Proposta no parlamento e exceções

A iniciativa será encaminhada ao Parlamento norueguês acompanhada pela formação de um grupo de especialistas encarregado de estudar a regulamentação adequada para o território nacional. As autoridades esclarecem que a intenção não é extinguir os aparelhos por completo, liberando o funcionamento em contextos onde não haja perigo de filmar terceiros sem consentimento.

O alerta principal recai sobre as versões equipadas com lentes fotográficas acopladas. Por estarem posicionados no rosto do consumidor, imagens e vídeos podem ser capturados de maneira sutil, dificultando que indivíduos ao redor percebam a ação.

Instituições já adotam barreiras na Noruega

O receio com a privacidade motivou companhias e órgãos locais a estabelecerem proibições próprias. Colégios de Oslo já vetaram os acessórios, enquanto a Equinor, principal corporação do país, proibiu os itens em suas dependências corporativas e escritórios.

De acordo com a administração pública, o foco recai sobre cenários onde a população aguarda privacidade, a exemplo de praias e colégios. O objetivo é impedir que a popularização dos dispositivos vestíveis fomente novos episódios de captação de imagem sem aval.

Restrições internacionais ganham força

A situação não é isolada. Na Inglaterra e no País de Gales, os Meta Smart Glasses foram banidos de edifícios judiciais, podendo inclusive ser apreendidos na portaria.

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A diretriz é mais rigorosa do que aquela imposta aos smartphones: mesmo sob promessa de não filmar, a entrada dos óculos é vedada nos tribunais para barrar registros ocultos durante os julgamentos. Em território britânico, salas de cinema também debatem proibições para resguardar a privacidade e evitar pirataria de filmes.

Medidas parecidas foram tomadas na Austrália, onde Sydney proibiu os equipamentos em bibliotecas, creches, academias, piscinas e instalações municipais, abrangendo vestiários. Adicionalmente, a Austrália Ocidental implementará proibições em colégios estaduais, impedindo que alunos, docentes, responsáveis e prestadores portem ou utilizem os artefatos nos recintos.

Dessa forma, os gadgets tecnológicos passam a sofrer normativas rígidas por integrarem lentes, captadores de áudio e inteligência artificial em um formato imperceptível. Diante das pressões sobre privacidade, a Meta já desenvolve uma versão de óculos inteligentes desprovida de câmera.