O Tribunal Superior Eleitoral iniciou, na sede da instituição em Brasília, o seminário voltado ao Programa de Convidados Internacionais para o pleito de 2026. O evento foi aberto na sexta-feira (2.out.2026) pela juíza Renata Gil, diretora de Assuntos Internacionais da Corte.

O papel central do eleitor

Durante a abertura do evento para representantes estrangeiros, a magistrada fez comparações entre a preparação de uma eleição e a organização de um grande evento, resguardando aspectos como segurança, logística e tecnologia, mas enfatizou que o foco principal é dar espaço ao cidadão.

“Quem conduz o espetáculo não é o Tribunal Superior Eleitoral. Quem conduz o espetáculo é o povo brasileiro”, disse Gil na abertura.

A diretora detalhou que a atuação do órgão visa criar um cenário adequado para que a população exerça seus direitos.

“O povo é o protagonista, o voto é a sua voz, a urna é o seu instrumento e a democracia é o grande palco onde essas vontades se manifestam. O papel da Justiça Eleitoral é preparar esse ambiente para que cada brasileira e cada brasileiro possa participar do processo com liberdade, segurança e, principalmente, igualdade”, afirmou.

Desafios contemporâneos e evolução da urna

A programação também abordou dificuldades anteriores à votação, a exemplo da disseminação de notícias falsas e do uso de ferramentas de inteligência artificial para falsificar conteúdos visuais e sonoros. Outro ponto levantado envolveu estratégias para minimizar impactos de intempéries no dia da votação, além de progressos na acessibilidade e o combate à violência política de gênero.

O pleito de 2026 marca três décadas de uso da tecnologia de votação computadorizada no país, que hoje conta com mais de 158 milhões de eleitores espalhados desde grandes centros até regiões isoladas, como a Amazônia.

“Desde 1996, a tecnologia eleitoral brasileira não parou de evoluir, em matéria de segurança, transparência, auditabilidade e acessibilidade. A cada eleição aprendemos, corrigimos, avançamos”, disse.

A magistrada defendeu que o regime democrático passa por constante construção e justificou a presença dos observadores estrangeiros.

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“Democracias maduras não têm medo de serem observadas. A transparência fortalece a democracia”, reforçou.

Panorama institucional e histórico

Na sequência das atividades, o ministro Dias Toffoli, integrante do TSE e do Supremo Tribunal Federal, destacou artigos constitucionais que fundamentam os direitos políticos e as relações internacionais do país.

“O mais importante desse dispositivo é que o voto é igual para todos e eu digo sempre que é o único momento que, no Brasil, todas as pessoas que votam são materialmente iguais”, afirmou.

O magistrado relembrou a fundação da Justiça Eleitoral em 1932, detalhou a estrutura dos tribunais e explicou a atuação dos cerca de 2 mil juízes eleitorais em todo o território nacional.

Missões de observação internacional

Executado desde 2010, o Programa de Convidados Internacionais promove o intercâmbio de informações sobre a organização do pleito brasileiro com autoridades do exterior. Para este ano, o acompanhamento contará com emissários de entidades como a União Europeia, a Liga dos Estados Árabes, o Parlasul, a OEA, o Carter Center, entre outras redes de administração eleitoral.

Na véspera do seminário, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reuniu-se com delegações do Parlasul e da Organização dos Estados Americanos. A OEA enviará sua maior delegação histórica ao país, reunindo 91 observadores no Distrito Federal e em 20 estados, atuando sob acordos de total independência para visitar locais de votação e analisar dados.