O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (3), durante o último ato de campanha em São Paulo, que seu grupo político está enfrentando um “chefe de quadrilha” e o crime organizado.

Democracia versus o crime organizado Na fala realizada na Rua Augusta, ao lado de Marina Silva, Simone Tebet e Fernando Haddad, o petista não citou nominalmente o adversário político Flávio Bolsonaro (PL). O discurso marcou a véspera do primeiro turno das eleições e encerrou a campanha nas ruas.

“Vamos às urnas amanhã [domingo] com muita tranquilidade sabendo o que está em jogo. De um lado a democracia e a soberania, do outro lado a barbárie e a corrupção. Do outro lado nós estamos trabalhando com um chefe de quadrilha. Estamos trabalhando contra crime organizado. Por isso, nós vamos precisar da força de vocês”, afirmou o presidente.

O chefe de Estado pediu que os apoiadores intensificassem a busca por votos de casa em casa, conversando com a população em comércios, bares e igrejas.

“A partir dessa passeata ninguém descansa. É preciso conversar com as pessoas na rua, no bar, na igreja, no comércio para que a gente convença todo mundo a ir votar”, declarou.

Críticas à Previdência e menção a banqueiro Em outro trecho do comício, o titular do Executivo federal associou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro a irregularidades na Previdência Social e mencionou o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Essa é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada pelo Bolsonaro, que tornou o banqueiro prisioneiro, o [Daniel] Vorcaro. E eles estão com muito medo porque a cada dia aparece coisa nova”, disse.

O caso do INSS gerou embates na corrida eleitoral, sendo explorado por opositores para associar o atual mandatário e seu filho Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) ao escândalo, cujas relações foram negadas pela defesa. Vorcaro também apareceu em relatórios de indiciamento da CPMI e se reuniu com o presidente no Planalto em dezembro de 2024.

Proposta sobre cartões de crédito Durante o evento, Lula voltou a criticar o envio automático de cartões de crédito pelas instituições financeiras e prometeu mudanças em um eventual novo mandato.

“Claro que sei da importância do crédito para a vida das famílias. Cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser”, escreveu o presidente nas redes sociais dias antes.

“O que não aceito é que bancos enviem para a casa das pessoas sem que elas tenham solicitado. Vamos acabar com essa prática e com os juros abusivos no Brasil.”

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Neste sábado, o petista reforçou o posicionamento.

“O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. Quem quiser cartão de crédito que peça para o banco. O banco não pode ficar mandando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem”, afirmou.

“Cartão de crédito é responsabilidade. Primeiro porque o juros do cartão de crédito é uma roubalheira. Por isso, no quarto mandato vamos moralizar essa coisa do crédito Brasil. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganhe dinheiro investindo na produção e não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis.”

Apelo aos eleitores idosos Ressaltando a divisão ideológica do pleito, o político categorizou o momento como um confronto entre o progresso social e a regressão.

“De um lado está a democracia, aqueles que defendem os direitos humanos, educação, ciência e tecnologia, cidadania, e do outro lado está a barbárie”, pontuou.

Por fim, o chefe do Executivo fez um apelo direcionado aos eleitores mais velhos, citando a própria trajetória etária e projetando uma vitória ainda no primeiro turno com ocupação posterior da Avenida Paulista.

“Precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles precisam votar pelos seus filhos, seus netos e seus bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15”, concluiu.