Chegar ao topo da fila ranqueada de League of Legends exige horas de dedicação e muita habilidade, mas dominar a Solo Queue não garante uma carreira nos e-sports.
O abismo entre a fila ranqueada e o competitivo
Para Calid “Moita” Reis, coach da LOS Academy, um bom desempenho individual prova apenas que o jogador possui forte mecânica. O verdadeiro cenário profissional exige comunicação, tomada de decisão, disciplina e uma sólida inteligência tática.
Transformar talento bruto em trabalho em equipe é uma tarefa complexa que passa pelas mãos de treinadores e por torneios de base. A trajetória de Moita ilustra bem essa transição: após tentar a carreira de jogador, ele descobriu a vocação para estudar a modalidade e acabou convidado para treinar uma equipe. Conciliando a faculdade com madrugadas de estudos sobre táticas, ele ajudou o time a subir da divisão de acesso até a elite, enfrentando inclusive um quadro de burnout no processo.
Os desafios da formação de base no Brasil
A pandemia de Covid-19 intensificou a relevância do ambiente online na socialização e no fortalecimento das competições digitais, provando a resiliência dos esportes eletrônicos. No entanto, o desenvolvimento de novos atletas esbarra em barreiras estruturais.
O Brasil enfrenta sérios problemas para fomentar o cenário local devido à sua imensa extensão territorial, que dificulta a conexão entre comunidades e a criação de oportunidades uniformes. Além disso, a circulação de conhecimento entre profissionais nem pouco experientes e iniciantes ainda encontra resistência.
O papel essencial do Tier 3 e dos treinadores
Nesse contexto, o Tier 3 funciona como a grande engrenagem de desenvolvimento. É nessa camada de entrada que os atletas aprendem a rotina de treinos, a pressão por resultados e a convivência em equipe.
O trabalho do coach vai muito além da estratégia. Moita aponta que a idade dos atletas exige maturidade emocional dos treinadores, que precisam saber administrar conflitos e liderar adolescentes de 16 ou 17 anos. Para o técnico, a evolução depende 75% do próprio jogador e apenas 25% da orientação recebida.
Para quem deseja identificar um verdadeiro talento nas transmissões, a dica é simples: esqueça os abates e foque no minimapa para entender a movimentação e a leitura de mapa do competidor. Construir o futuro do League of Legends nacional exige olhar além do brilho individual e estruturar toda a base do esporte.










