O contrato futuro do ouro encerrou a sessão de sexta-feira (2) em baixa, interrompendo uma sequência de quatro altas consecutivas motivada por um movimento natural de correção após os ganhos recentes.

Impacto do payroll e política monetária

O recuo ocorreu mesmo com a divulgação do relatório de empregos dos EUA, o payroll, que veio bem abaixo das expectativas do mercado financeiro e fortaleceu as apostas de que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, manterá a taxa de juros inalterada na reunião deste mês. O Departamento do Trabalho informou que foram abertas 29 mil vagas em setembro, número inferior à projeção de 85 mil estimada na pesquisa Projeções Broadcast.

Impulsionado inicialmente pelos dados fracos de emprego, o metal chegou a atingir a máxima intraday de US$ 4.259,00 por onça-troy, impulsionado pelo reforço nas apostas de pausa nos juros captado pela ferramenta de monitoramento do CME Group. Contudo, a alta dos rendimentos dos Treasuries ao longo da semana exerceu forte pressão vendedora sobre a commodity, impedindo a sustentação do patamar máximo.

Desempenho na Comex

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato do ouro para dezembro registrou desvalorização de 0,95%, encerrando cotado a US$ 4.162,30 por onça-troy. No mesmo sentido, a prata para dezembro caiu 1,24%, fechando a US$ 60,415 por onça-troy. No balanço semanal, as perdas acumuladas atingiram 3,67% para o ouro e 10% para a prata.

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Perspectivas para investidores institucionais

Apesar do cenário de volatilidade e da pressão exercida pelos títulos públicos, especialistas apontam que os fundamentos essenciais que ditam a cotação do metal — a exemplo das aquisições realizadas por bancos centrais globais e aportes de grandes corporações — “permanecem intactos”.

Além disso, a recente retração de preços pode criar oportunidades atrativas para a entrada de novos players no mercado. Segundo a avaliação de um estrategista da World Gold Council, “o ouro tem recebido mais atenção de alguns fundos de pensão, à medida que reavaliam a construção de portfólios em um contexto de tensões geopolíticas, choques de inflação e uma correlação menos confiável entre ações e títulos”.