Com um pleito presidencial bastante polarizado e sem clareza sobre os rumos da próxima administração, a Armor Capital optou por evitar apostas direcionadas no país, concentrando suas operações no exterior, de acordo com Alfredo Menezes, presidente e CIO da gestora.

Cautela na bolsa brasileira

O executivo explicou a postura atual da empresa diante do cenário político. “Vamos esperar até o primeiro turno, aí poderemos definir algumas aplicações de maior prazo aqui”, diz Menezes. “Por enquanto, ficamos no day trade ou em posições long-short [arbitragem com compra de uma ação e venda de outra]”.

Perspectivas econômicas para um novo mandato

O cenário traçado para os mercados caso o atual chefe do Executivo permaneça no poder não é otimista. “Serão os quatro últimos anos do PT no poder, pois Lula não tem um sucessor, mas não acredito que ele, no quarto mandato, vai fazer algum ajuste fiscal”, acrescenta. Apesar disso, o gestor descarta uma disparidade cambial extrema: “não acredito em um cenário de dólar a R$ 6”.

Mais adiante, o país poderá enfrentar um período semelhante ao observado recentemente. “Acho que essa coisa se repete, o quadro fiscal vai se deteriorar e a inflação deve subir, talvez não no ano que vem, mas em 2028 ou 2029, e quando estiver pegando fogo mesmo o governo fará a lição de casa, como já ocorreu várias vezes nos últimos 40 anos”, diz Menezes. “Já vi várias vezes falarem que Brasil ia quebrar, mas quando a coisa aperta o governo faz a lição de casa”, completa. O principal obstáculo, na visão dele, é a elevada carga tributária, o que restringe margens para novos tributos: “Vai ter de ser resolvido pela parte dos gastos”, aponta.

Estratégias e juros no mercado internacional

Fora do país, a gestora monitora a disputa acirrada por capital entre o governo americano e companhias de tecnologia que financiam projetos de inteligência artificial. Essa competição exerce pressão sobre custos de crédito e taxas básicas globalmente, alcançando inclusive economias tradicionais de juros baixos, como o Japão.

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A instituição mantém posições apostando na alta da curva de juros nos Estados Unidos e aposta na queda do petróleo. “Assim que a guerra no Irã terminar os preços devem cair rápido e veremos o barril do petróleo a US$ 60 no ano que vem”, diz. A empresa também possui posições em prata e avalia que o foco tecnológico migrará para empresas usuárias de IA, com destaque para o setor financeiro. “Haverá forte ganho de eficiência em serviços não braçais, sejam bancos, seguradoras, empresas de serviços jurídicos ou contabilidade”, ressalta Menezes.

No câmbio global, a aposta principal recai sobre a venda do peso mexicano e do euro. Em relação ao câmbio doméstico, o real tem se mantido firme, mas há ressalvas. “Mas se o conflito no Irã acabar e o petróleo cair, o real sofrerá”, pondera.

Posicionamento final no Brasil

As operações locais seguem restritas a arbitragens pontuais e cautela extrema com o crédito. “Estamos também tomando bastante cuidado com crédito nos bancos de varejo, evitando os que trabalham com as classes C e D, que devem sofrer mais com inadimplência”, conta. “Fora isso, ficamos mais no giro diário em outros mercados até a eleição e depois vamos decidir o que fazer”, conclui.