O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as articulações políticas para viabilizar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a jornada de trabalho no modelo 6×1. A estratégia do Palácio do Planalto é acelerar a tramitação da matéria no período entre o primeiro e o segundo turno do pleito, transformando a medida em um trunfo eleitoral decisivo para a reta final da disputa.
Acordo costurado com o Senado
Para concretizar o plano, o chefe do Executivo conversou diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a possibilidade de imprimir ritmo acelerado à análise da proposta legislativa. A conversa resultou em uma sinalização favorável para que o tema ganhe prioridade na Casa Alta, alterando o cronograma inicialmente previsto pela mesa diretora.
Mobilização partidária e foco no eleitorado
Enquanto a negociação ocorre nos bastidores de Brasília, a legenda governista manteve o assunto no centro das diretrizes de campanha para dialogar com os votantes. A militância petista recebeu orientações para debater a redução do tempo de labor nas ruas, conectando o tema a outras preocupações cotidianas da população, como o impacto das apostas online e o custo de vida.
Desafios e histórico de tramitação no Congresso
A iniciativa legislativa fixa o limite máximo de 40 horas semanais, estruturadas em cinco dias de atividade profissional e dois dias de folga, assegurando a manutenção integral dos rendimentos dos trabalhadores. O avanço da pauta, contudo, enfrentou obstáculos recentes e permaneceu estagnado por aproximadamente três meses devido a divergências políticas entre o Executivo e o comando do Senado, agravadas após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Esforços anteriores e articulação da oposição
No início de setembro, a matéria passou pela Comissão de Constituição e Justiça, mas não avançou para o plenário em função do receio governista de não atingir o patamar mínimo de 49 votos favoráveis. Na ocasião, o líder do Governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que a articulação de Flávio Bolsonaro (PL) foi decisiva para esvaziar o plenário.
Ampla aprovação na Câmara dos Deputados
Apesar das atuais resistências no Senado Federal, a proposta obteve expressiva aceitação na Câmara dos Deputados durante as votações ocorridas em maio, quando registrou 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno, além de 461 a 19 na segunda etapa de análise. O tema voltou a figurar entre as prioridades legislativas após um encontro realizado no Palácio da Alvorada entre o presidente, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).










