O tradicional Bordeaux, clube hexacampeão francês, fechou nesta quarta-feira (30.set.2026) um acordo para a transferência de sua gestão ao fundo de investimento estadunidense Park Bench pela quantia simbólica de 1 euro (aproximadamente R$ 6,50). A transação está atrelada a um plano amplo de reestruturação do passivo da instituição, que teve sua falência decretada em julho de 2024.

Detalhes da negociação financeira

A tratativa foi conduzida entre a empresa de Gérard Lopez, dono do clube desde 2021, e a nova gestora. O montante de 1 euro não reflete a totalidade do impacto financeiro da operação. Conforme apuração do ge, o planejamento de continuidade visa encolher as obrigações pendentes de 26 milhões de euros para 13 milhões de euros, estendendo o prazo de quitação de 10 para 12 anos.

Como parte do entendimento, Lopez renunciará aos créditos que detém perante o Bordeaux, abrindo mão de qualquer expectativa de ressarcimento futuro. A tratativa também contemplou um pacto com o ex-treinador Vladimir Petkovic para a solução de um processo trabalhista, eliminando pendências contratuais antigas com o ex-profissional.

Pronunciamento oficial da instituição

Em comunicado oficial, a diretoria se manifestou sobre o negócio:

“O FC Girondins de Bordeaux anuncia a assinatura de um acordo de cessão entre a sociedade de Gérard Lopez, atual proprietária do clube, e a Park Bench.

“Esta operação é concluída por um euro simbólico com a assunção das dívidas. No âmbito do procedimento legal de retomada, os compradores serão ouvidos nos próximos dias pela Comissão Regional de Controle de Gestão da Liga de Futebol Nouvelle-Aquitaine.

“Esta assinatura marca uma etapa importante para o futuro do FC Girondins de Bordeaux”.

Leia também

Queda drástica no futebol francês

O grave colapso econômico empurrou a equipe para divisões modestas do esporte nacional. Na época em que Gérard Lopez assumiu o comando, em 2021, a agremiação ainda competia na elite da Ligue 1. Já em 2026, a realidade esportiva passou a ser a Regional 1, equivalente ao sexto escalão do país.

Em agosto, o acerto com a Park Bench — em aliança com o fundo Sparta Capital — já havia sido alinhavado, mas a formalização pública ocorreu somente nesta quarta-feira (30.set). Naquele momento, o time acumulava um rombo de 40 milhões de euros e já havia perdido a licença profissional. Os novos parceiros chegaram a injetar quase 11 milhões de euros em uma conta-garantia para viabilizar as atividades da temporada.

Prévio a isso, em julho, o time sofreu exclusão dos torneios nacionais após a Sparta Capital não conseguir arrecadar os 10 milhões de euros exigidos para o ano competitivo. A punição imposta pela DNCG (Direção Nacional de Controle e Gestão) manteve a equipe afastada das ligas principais, elevando o perigo de liquidação judicial.

Próximos passos burocráticos

A concretização definitiva da venda ainda depende do aval dos órgãos de fiscalização financeira do futebol na França, que examinarão a viabilidade do projeto e a estratégia administrativa para o ciclo seguinte. Além disso, a validação oficial do plano de continuidade precisará ser chancelada pelo tribunal comercial.