Famílias relatam prejuízos, alimentos perdidos e dificuldades para manter atividades básicas; faixa exposta no distrito cobra resposta da companhia
Por Douglas Nogari | Portal Expressão Paraná
A revolta tomou conta de moradores do distrito de Sertãozinho, em Engenheiro Beltrão, após as consequências do forte temporal que atingiu a região na terça-feira (29). Dias depois da tempestade, famílias ainda enfrentam a falta de energia elétrica e, como consequência direta, também sofrem com a interrupção ou dificuldade no abastecimento de água.
A insatisfação ganhou espaço com visibilidade. Uma faixa colocada no distrito expõe o sentimento dos moradores: “COPEL!! INSATISFAÇÃO. 3 DIAS SEM ENERGIA!!”. A manifestação também cobra explicações da companhia diante da demora para a recomposição do fornecimento.
O problema vai muito além de ficar sem luz. Sem energia elétrica, o sistema de bombeamento que leva água às residências também é afetado, deixando famílias sem condições adequadas para realizar atividades básicas do dia a dia.
Dentro das casas, os prejuízos se acumulam. Moradores relatam alimentos que precisam ser descartados devido à falta de refrigeração, dificuldades para cozinhar, conservar produtos, medicamentos como insulina que não pode ficar fora da geladeira, e realizar tarefas domésticas, além do temor e de relatos de danos a equipamentos e eletrodomésticos associados às interrupções e oscilações no fornecimento.
Temporal deixou milhares de consumidores sem energia
O temporal provocou danos expressivos à rede elétrica em diversas cidades do Noroeste do Paraná. Em boletim divulgado na terça-feira (29), a Copel informou que trabalhava para restabelecer a energia de 173,7 mil clientes em todo o Paraná, sendo 107,2 mil na região Noroeste.
Naquele momento, Engenheiro Beltrão aparecia entre os municípios com maior número de ocorrências, com aproximadamente 6,2 mil clientes desligados. A companhia informou que árvores, cabos e postes foram atingidos pelos eventos climáticos severos.
O cenário também foi reconhecido em informações oficiais relacionadas ao abastecimento de água. Registros da Agência Estadual de Notícias apontam que problemas no fornecimento de energia afetaram unidades de produção e distribuição de água em diversas localidades, incluindo Sertãozinho, em Engenheiro Beltrão, como apontou o site do Governo do Estado do Paraná
Problema não é novidade para os moradores
A insatisfação em Sertãozinho também ocorre em meio a uma discussão que já vinha sendo levada às autoridades.
Em março deste ano, representantes da Copel estiveram na Prefeitura de Engenheiro Beltrão justamente para tratar de investimentos e melhorias no sistema elétrico dos distritos de Sertãozinho e Figueira do Oeste. Na ocasião, os distritos foram apontados como localidades que enfrentavam quedas frequentes no fornecimento de energia.
Segundo informações divulgadas após aquela reunião, a Copel havia informado investimentos superiores a R$ 5 milhões no município em 2025 e previsão de novos investimentos superiores a R$ 2,5 milhões em 2026, incluindo projetos e serviços de manutenção destinados a melhorar o atendimento nos distritos.
Para os moradores, porém, a realidade enfrentada após o temporal reforça a necessidade de respostas mais rápidas e de soluções estruturais.
Prefeitura também atua na recuperação dos estragos
Enquanto os moradores aguardam a normalização dos serviços, equipes da Prefeitura de Engenheiro Beltrão foram mobilizadas para enfrentar os danos provocados pela tempestade.
Pelo menos 20 servidores da Secretaria Municipal de Obras atuaram na retirada de árvores, desobstrução de ruas e recuperação de estruturas danificadas. Em Sertãozinho, a Escola Municipal Sebastião Viana teve o telhado atingido e precisou de reparos, como informou reportagem publicada no Jornal Enfoque Regional, veículo de comunicação local e regional com sede no municípío.
O temporal, portanto, deixou uma sequência de problemas que vai desde danos físicos em estruturas públicas e particulares até a interrupção de serviços essenciais.
Moradores querem resposta e reparação
Para quem vive no distrito, a espera deixou de ser apenas um transtorno e passou a representar um problema que interfere diretamente na rotina e no orçamento das famílias.
A cobrança agora é por uma explicação clara sobre a demora na recuperação da rede, previsão concreta para o restabelecimento integral do serviço e orientação sobre os procedimentos para quem sofreu prejuízos.
A Copel possui canais oficiais para comunicação de falta de energia e atendimento aos consumidores, além de manter equipes mobilizadas em situações emergenciais.
O Portal Expressão Paraná procurou informações sobre a situação específica de Sertãozinho e acompanha a evolução do caso. Até o momento, o posicionamento público localizado da Copel trata da dimensão estadual e regional dos danos provocados pelo temporal, mas não apresenta, nas fontes consultadas, uma explicação específica sobre a demora no atendimento aos moradores de Sertãozinho.
Enquanto isso, a faixa estendida no distrito resume o sentimento de quem está há dias esperando: “3 dias sem energia”. E, para essas famílias, cada hora sem eletricidade significa também mais dificuldades para ter água, conservar alimentos, preservar equipamentos e manter uma rotina mínima dentro de casa.










