O avanço da inteligência artificial transformou a clonagem de rostos e vozes em uma das principais ferramentas para a disseminação de mentiras e fraudes nas redes sociais, utilizando figuras públicas para conferir falsa credibilidade a conteúdos fabricados.

O uso de deepfakes na política

Um dos episódios envolve Caetano Veloso, alvo de uma montagem no TikTok que utilizou imagens reais de uma campanha de 2026 para fazer parecer que ele defendia a continuidade do governo. A assessoria do cantor confirmou que o conteúdo era falso. Estratégia semelhante foi aplicada a Neymar em um vídeo manipulado com viés político oposto, associando o atleta a uma suposta perseguição contra Jair Bolsonaro. Embora o jogador tenha laços públicos com o ex-presidente, a declaração atribuída a ele nunca aconteceu.

Especialistas apontam que a mistura entre fatos verídicos e elementos fabricados torna a checagem extremamente difícil, pois o público tende a considerar a narrativa plausível devido ao histórico real dos envolvidos.

Fraudes comerciais e regulação eleitoral

A prática também afeta o setor comercial e institucional. O ator Tony Ramos teve sua imagem clonada para promover um medicamento falso ao lado de Ana Maria Braga, enquanto ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram alvos de imagens geradas por IA para simular conflitos inexistentes.

Para conter o problema, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que conteúdos sintéticos na propaganda devem ser devidamente identificados e proibiu o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Golpes financeiros e como se proteger

Além da desinformação eleitoral, golpistas aproveitam a tecnologia para aplicar fraudes financeiras. Um caso recente utilizou imagens falsas e portadores de notícias fabricados para simular um suposto atentado contra o empresário Luciano Hang, direcionando as vítimas a um site fraudulento com promessas de lucros diários.

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Wilder Martins, especialista em cibersegurança da EXA, reforça que a tecnologia atualmente simula a realidade com perfeição, cria links e sites falsos, muito semelhantes aos originais. “Por isso, a principal barreira de defesa mudou: a pergunta não deve ser mais apenas ‘isso parece verdadeiro?’, mas sim ‘por que estão me pedir para clicar em um link, fornecer um dado sensível ou fazer uma transferência?’”

O especialista alerta ainda para o perigo de mensagens que criam falsas urgências. “Se a mensagem cria uma emergência (seja para evitar um bloqueio, garantir um direito ou cobrar um pagamento), pare imediatamente”, alerta o especialista. “Esse é o gatilho clássico da fraude. A sua principal defesa é não seguir o atalho oferecido pelo golpista. Feche a mensagem e acesse ferramentas e softwares de verificação, distribuídas de forma paga e gratuita, como a EVA [inteligência artificial da EXA que analisa conteúdos suspeitos pelo WhatsApp] para confirmar a informação antes de realizar qualquer transação”.

Diante do alto realismo das mídias sintéticas, a recomendação de autoridades e checadores é ir além da inspeção visual e sempre buscar a confirmação dos fatos em canais oficiais e veículos de imprensa confiáveis.