O Conselho Federal de Contabilidade atualizou duas das diretrizes mais marcantes da auditoria independente no Brasil: a NBC TA 240, que combate às fraudes financeiras, e a NBC TA 570, que avalia a saúde e a sobrevivência das organizações. Publicadas no Diário Oficial em 25 de setembro de 2026, as novas exigências entram em vigor para os exercícios iniciados em 1º de janeiro de 2027.
Embora a data de vigência pareça distante, o relógio corre contra gestores que postergam a reestruturação interna. Postergar essa adequação eleva a vulnerabilidade corporativa a relatórios com ressalvas, perda de confiabilidade e crises perante acionistas e investidores.
Rigor ampliado contra fraudes corporativas
A diretriz revisada de combate às fraudes eleva o patamar de exigência e demanda ceticismo constante ao longo de toda a checagem contábil. Os profissionais da área não aceitarão mais justificativas verbais ou relatórios tradicionais da diretoria sem a devida comprovação.
A regulamentação impõe a busca ativa e o registro minucioso de informações que validem ou refutem as narrativas oficiais. Vale destacar que essa transição não transfere o dever de coibir ilícitos para o auditor, visto que a responsabilidade principal sobre os controles internos permanece inteiramente sob a alçada da gestão. Contudo, qualquer deficiência operacional passará a constar nos documentos de forma muito mais rigorosa.
Exigência de testes rigorosos de continuidade
Em paralelo, a diretriz focada na continuidade operacional altera a perspectiva do mercado sobre a perenidade dos negócios. Caso a liderança apresente projeções de viabilidade inferiores a 12 meses contados da aprovação dos balanços, o auditor demandará a ampliação imediata desses horizontes.
Ademais, o parecer conclusivo contará com um espaço dedicado exclusivamente à análise da capacidade de sobrevivência da companhia. Essa inclusão expõe de forma transparente qualquer fragilidade financeira a instituições bancárias e parceiros estratégicos.
Estratégias preventivas para proteger a imagem
Como o dever de fundamentar premissas e exibir evidências robustas continua sob a responsabilidade do empreendimento, a postura da gestão dita o sucesso ou o fracasso diante do auditor.
Os setores contábil e financeiro precisam modernizar as estruturas orçamentárias prontamente, assegurando previsibilidade para o período de um ano. A direção também precisa intensificar o registro dos mecanismos de governança e identificar fragilidades operacionais antes do começo do próximo ciclo.
A preservação da imagem institucional está atrelada à precisão dos dados apresentados aos órgãos fiscalizadores. Antecipe-se, reúna os colaboradores e ajuste os processos internos o quanto antes.










