Uma investigação recente realizada pela Northeastern University em conjunto com a Consumer Reports constatou que sete aplicativos de suporte para veículos realizam o envio de informações sensíveis de motoristas para redes de publicidade. O mapeamento avaliou 21 automóveis e 30 plataformas móveis, evidenciando que o debate sobre privacidade no setor automotivo se estende aos celulares por meio dos sistemas oferecidos pelas fabricantes.
Aplicativos que transmitem dados de veículos
Entre as ferramentas apontadas no levantamento estão o HondaLink, Lincoln, MyNissan, myCadillac, myChevrolet, myBuick e myGMC. Durante os testes práticos, todos os veículos testados realizaram conexões com domínios de terceiros via rede Wi-Fi. Como as informações estavam criptografadas, os especialistas não conseguiram decodificar o conteúdo exato transmitido em cada acesso.
Valor comercial dos hábitos ao volante
Informações referentes a acelerações, frenagens e demais comportamentos de condução possuem alto valor econômico. Uma apuração divulgada pela Consumer Reports em março de 2025 avaliou as políticas de privacidade de 15 montadoras e detectou o repasse de dados de direção para outras companhias, o que pode impactar diretamente o valor de apólices de seguros e condições comerciais oferecidas aos consumidores.
Posicionamento das fabricantes e contramedidas
As montadoras sustentam que aplicam parte desses dados para aperfeiçoar serviços e mecanismos de segurança. Diversas marcas também argumentam que o compartilhamento ocorre de maneira anonimizada ou com a autorização do usuário. Contudo, no levantamento de 2025, quase todas as empresas consultadas se negaram a especificar quais parceiros recebiam os registros de condução.
O estudo mais recente apontou uma rota alternativa para esse envio de dados através de plataformas vinculadas aos automóveis. Um dos exemplos citados envolve o HondaLink. Após a divulgação dos resultados, a Honda suspendeu o repasse de dados de localização por meio do aplicativo e solicitou à companhia de análise Amplitude a deleção das informações previamente obtidas, embora não tenha havido confirmação sobre a conclusão da exclusão dos registros.
Como restringir o envio de dados
É viável tentar limitar a coleta e a circulação de informações, mas as alternativas mudam conforme a marca, o software e a localidade do condutor. A recomendação inicial é acessar o portal de privacidade da fabricante ou as preferências disponíveis no aplicativo conectado ao automóvel.
Também se faz necessário distinguir as categorias de solicitação. O bloqueio da comercialização exige que a organização cesse o repasse de dados a terceiros futuramente. A limitação de uso restringe o emprego de dados sensíveis, enquanto a exclusão de registros demanda que a corporação apague os dados armazenados.
Antes de modificar as preferências, é fundamental checar quais recursos podem sofrer impactos. Em certas montadoras, bloquear algumas permissões pode desativar recursos de conectividade, a exemplo do acionamento remoto das travas ou de serviços de assistência nas estradas.










