O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio à candidatura de Delúbio Soares (PT-GO) à Câmara dos Deputados por meio de um vídeo divulgado nesta segunda-feira (28.set.2026). O político goiano, que atuou como ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, acumula condenações prévias em dois grandes escândalos de corrupção do país: o mensalão e a Operação Lava Jato.

Histórico eleitoral e relação com o partido

Fundador da legenda e figura presente em campanhas presidenciais históricas de Lula, Delúbio tenta viabilizar seu retorno à política nacional. Na gravação oficial de campanha, o chefe do Executivo federal pede aos eleitores um “voto especial” para um “companheiro que foi vítima da maior perseguição já feita na história”.

O presidente argumenta ainda que o candidato tem o direito de “recuperar sua dignidade” e reforça o apelo dizendo que “quem vota em mim [Lula], vota em Delúbio 1390”. Além dele, o atual mandatário também manifestou respaldo político a José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e candidato a deputado federal por São Paulo, classificando o pleito como uma “reparação histórica”.

Condenação e perdão judicial no mensalão

No ano de 2013, o plenário do Supremo Tribunal Federal determinou a pena de Delúbio a 2 anos e 3 meses de reclusão pelo crime de formação de quadrilha, além de 6 anos e 8 meses e pagamento de dias-multa por corrupção ativa. Os delitos estavam associados ao mensalão, esquema de suborno direcionado a congressistas em troca de sustentabilidade política. Posteriormente, a acusação de formação de quadrilha acabou anulada pela Suprema Corte.

O perdão da pena ocorreu em março de 2016, quando o então ministro Luís Roberto Barroso atendeu a um parecer favorável do Ministério Público Federal. A decisão considerou o bom comportamento do réu no cumprimento parcial da pena em regimes semiaberto e aberto, sem registro de infrações graves, totalizando 10 meses cumpridos por essa setença.

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O processo e anulação na Lava Jato

Anos mais tarde, em 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região impôs nova condenação ao ex-tesoureiro, desta vez por lavagem de dinheiro em esquema de desvio de verbas e pagamento de propinas ligadas a contratos da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato. A pena inicial de 5 anos em regime fechado subiu para 6 anos em 2018, período em que ele iniciou o cumprimento da sanção.

A reviravolta jurídica aconteceu em março de 2023, quando a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou a condenação por completo. O colegiado aplicou o entendimento do STF de que crimes comuns conectados a delitos eleitorais devem tramitar na Justiça Eleitoral, e não na esfera federal comum. Com a anulação dos atos da 13ª Vara Federal de Curitiba e do TRF-4, o processo retornou à primeira instância eleitoral para recomeçar do zero, após o cumprimento de 1 ano e 5 meses por este caso. No total, o ex-dirigente partidário passou cerca de 2 anos e 3 meses preso entre os regimes fechado e semiaberto ao longo de suas passagens pelo sistema prisional.