A fase final da disputa presidencial desviou o foco de temas fundamentais como saúde, educação e economia para debates religiosos, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a intervir diretamente nas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse cenário coloca o presidente do STF, Edson Fachin, diante de mais uma sessão marcada pelo confronto entre diferentes alas da corte, ocorrendo logo após episódios turbulentos envolvendo investigações políticas.
O caso de Nossa Senhora Aparecida na campanha
O centro das discussões na última semana passou a ser uma notícia falsa afirmando que Flávio Bolsonaro estaria articulando um projeto para remover o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Embora não existam provas ou declarações que vinculem o candidato a tal iniciativa, parlamentares aliados ao bolsonarismo já haviam defendido publicamente a ideia em momentos anteriores.
A situação gerou repercussão imediata quando Flávio Bolsonaro tentou conter a crise, mas acabou gerando novos atritos ao atacar publicamente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O candidato afirmou que a entidade estaria por trás da disseminação da desinformação, provocando forte reação da instituição religiosa e de seus defensores.
Aproveitando o momento, o candidato Lula entrou na discussão ao declarar que, enquanto for presidente, não permitirá que nada avacalhe a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em resposta, a campanha de Flávio Bolsonaro tentou equiparar o episódio, alegando que a fake news contra ele se assemelha à facada desferida contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Atropelos jurídicos entre STF e TSE
No âmbito judicial, o ministro André Mendonça determinou a remoção de postagens que associavam Flávio Bolsonaro ao boato, mas acabou exagerando na medida ao banir publicações que sequer mencionavam o candidato do PL. A defesa do humorista Antonio Tabet, afetada pela ordem, optou por acionar diretamente o gabinete de Flávio Dino em vez de recorrer ao plenário do TSE.
Com esse atalho jurídico, Dino anulou a determinação de Mendonça utilizando como base um precedente envolvendo o ex-deputado Deltan Dallagnol. Seguindo o mesmo caminho, Flávio Bolsonaro utilizou uma ação vinculada ao marco civil da internet no gabinete de Luiz Fux e também obteve uma vitória judicial.
Crise institucional e reflexos no eleitorado
Diante das sucessivas interferências, o presidente do TSE, Nunes Marques, levou suas reclamações a Edson Fachin, argumentando que a Justiça Eleitoral está sendo enfraquecida durante o pleito. O alvo das críticas incluiu tanto Flávio Dino quanto Gilmar Mendes, que havia feito críticas públicas a membros do tribunal eleitoral.
Diante do impasse, Fachin agendou para uma quarta-feira (30) o julgamento para tentar solucionar o conflito, que recolocará frente a frente os ministros alinhados a Alexandre de Moraes e o grupo ligado a André Mendonça. Enquanto a disputa jurídica e ideológica domina o cenário político, o eleitor permanece distante de discussões essenciais sobre os rumos práticos do país.










