O futebol ultrapassou a barreira do simples entretenimento para se consolidar como uma das indústrias mais lucrativas do planeta. Nos bastidores dos contratos milionários e das transmissões bilionárias, o grande beneficiário silencioso de cada rodada é o Fisco.

A arrecadação tributária de uma liga está diretamente ligada ao seu faturamento total, abrangendo circulação, encargos trabalhistas e imposto de renda corporativo. A elite do esporte injeta bilhões anualmente nos cofres públicos, impulsionada pelo volume de negócios e pela carga tributária aplicada.

As principais potências fiscais da Europa

A Premier League lidera o ranking mundial com uma arrecadação estimada entre £3,6 bilhões e £4,2 bilhões, sustentada por um faturamento bruto de €7,4 bilhões. O segredo está nas altas rendas e na alíquota de 45% do imposto de renda pessoa física, onde encargos trabalhistas retidos na fonte respondem por mais da metade da carga tributária.

Logo atrás, a La Liga na Espanha arrecada entre €1,3 bilhão e €1,5 bilhão. Com o fim dos incentivos fiscais da antiga “Lei Beckham”, as alíquotas marginais em regiões como Madri e Catalunha chegam a atingir 50% para os maiores salários, somando-se ao IVA e impostos corporativos.

Na Alemanha, a Bundesliga registra arrecadação de €1,2 bilhão a €1,4 bilhão. O modelo de sustentabilidade financeira e bilheteria robusta garante forte arrecadação de IVA com taxa de 19%, além das taxas previdenciárias sobre os milhares de empregos gerados nas arenas.

Impacto de reformas e encargos sociais

A Serie A da Itália arrecada entre €1,0 bilhão e €1,1 bilhão. Com o fim do Decreto Crescita — regime que reduzia a base tributável de atletas estrangeiros —, o campeonato retornou às regras padrão do IRPEF com alíquotas de até 43% mais taxas regionais.

Na França, a Ligue 1 movimenta de €900 milhões a €1,0 bilhão em tributos. Embora seu faturamento seja menor, a nação possui uma das maiores cargas sociais sobre o trabalho na Europa, destacando-se pelas elevadíssimas contribuições patronais de seguridade social recolhidas por clubes como o Paris Saint-Germain.

O cenário nas Américas

A Major League Soccer (MLS), nos Estados Unidos e Canadá, gera entre US$ 350 milhões e US$ 500 milhões em impostos. Sua arrecadação é complexa por envolver tributos federais, municipais e estaduais que variam drasticamente conforme a localização de cada franquia.

Fechando a lista, o Brasileirão Série A arrecada entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,8 bilhão. O cenário mudou com a chegada da Lei da SAF, que instituiu o imposto unificado de 5% sobre a receita bruta, além do recolhimento de IRPF na fonte e encargos previdenciários.

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O futebol moderno comprova que a disputa pelo topo não se restringe às quatro linhas, servindo como uma fonte vital de receita tributária para governos de todo o mundo.

Você pode estar pagando mais impostos do que a lei exige.

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Por Lucas de Sá Pereira, contador e colunista.