Após um hiato de 12 anos sem aventuras inéditas nos videogames, a Konami oficializou a produção de Castlevania: Belmont’s Curse. O título foi revelado durante uma transmissão do State of Play e resgata a tradicional jogabilidade de exploração em mapas interconectados, marcando o retorno definitivo da propriedade intelectual ao gênero que ajudou a batizar: o metroidvania. O lançamento está agendado para o dia 15 de outubro de 2026, com versões para PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch e PC.
Bastidores e o comando da Evil Empire
O anúncio coincide com a celebração dos 40 anos da saga dos caçadores de vampiros, iniciada em 1986. A nova empreitada não conta com o envolvimento direto de Koji Igarashi — atualmente focado na série Bloodstained —, mas o projeto foi entregue à desenvolvedora Evil Empire. A equipe francesa conquistou a confiança da comunidade e da própria produtora após o trabalho no aclamado Dead Cells, especialmente na expansão comemorativa dedicada ao universo gótico do clã Belmont.
Em termos de narrativa, a nova história colocará os jogadores no controle da filha de Trevor Belmont e Sypha Belnades, estabelecendo uma ponte direta com personagens históricos e acolhendo tanto fãs veteranos quanto novos públicos. A movimentação segue o modelo de sucesso adotado na revitalização recente de Silent Hill, também entregue a um estúdio externo especializado.
O refúgio bem-sucedido nos portáteis
O resgate do modelo clássico encerra uma espera prolongada. A última experiência principal construída sob essa cartilha mecânica foi Order of Ecclesia, lançado em 2008, enquanto a subsérie portátil ainda viu Castlevania: Lords of Shadow – Mirror of Fate chegar em 2013.
Historicamente, foram os consoles portáteis que preservaram a essência da franquia em suas fases mais conturbadas. Durante os ciclos do Game Boy Advance e do Nintendo DS, clássicos como Aria of Sorrow, Circle of the Moon, Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin sustentaram o prestígio da marca com refinamentos constantes e mapas bidimensionais memoráveis, enquanto os sistemas domésticos enfrentavam turbulências.
A transição conturbada para o ambiente 3D
Desde a consagração de Super Castlevania IV (1991) e Castlevania: Symphony of the Night (1997), a transição tecnológica da saga enfrentou descompassos significativos. A primeira incursão em três dimensões ocorreu com Castlevania 64 (1999), projeto marcado por problemas de câmera e controles pouco responsivos.
Apesar de correções pontuais no PlayStation 2 com Lament of Innocence e Curse of Darkness, a propriedade intelectual se distanciou progressivamente de suas raízes. Esse percurso incluiu experimentos controversos, como o jogo de luta Castlevania Judgment no Nintendo Wii, até culminar no reboot de ação Lords of Shadow. Embora o primeiro capítulo dessa linha tenha tido boa recepção, o fraco desempenho de sua sequência direta em 2014 congelou os planos da desenvolvedora para consoles de mesa.
Transmídia e colaborações mantiveram o interesse ativo
O período longe das grandes produções não significou o esquecimento total da marca. A longevidade da franquia foi impulsionada por aparições especiais em obras consagradas como Super Smash Bros. Ultimate, Vampire Survivors, V Rising e Dead by Daylight, além de produções transmídia de grande apelo popular.
Na Netflix, a adaptação animada exibida entre 2017 e 2021 — fundamentada nos eventos de Castlevania III: Dracula’s Curse — alcançou grande audiência, dando origem posterior à série derivada Castlevania: Noturno. Em paralelo aos preparativos para a estreia de Belmont’s Curse, a produtora também disponibilizou temporariamente o clássico original de forma gratuita para smartphones, dando início à contagem regressiva para a celebração das quatro décadas da saga.










