O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste domingo que o modelo atual de escolha para a Suprema Corte precisa ser reformulado, sugerindo a criação de um colegiado para avaliar os futuros magistrados. A entrevista foi concedida à TV Bandeirantes e gravada no Palácio da Alvorada pela manhã.
Critérios de escolha e mandatos Segundo o mandatário, o formato vigente é excessivamente frágil e abre margem para escolhas que refletem apenas a vontade pessoal de quem ocupa a Presidência.
“A única coisa que eu posso dizer é que não pode continuar do jeito que está”, criticou o presidente.
“Eu quero mudar o critério de escolha, porque o critério de escolha é muito vulnerável. Acho que nós temos que criar um critério para envolver a sociedade civil para que a gente indicar alguém que não seja da vontade do presidente. Tem que ser alguém que seja que passe por um crivo de um colegiado que a gente vai ter que pensar como criar para aquela pessoa não seja um cara indicado pelo presidente”, afirmou.
Lula também pontuou que a análise da trajetória profissional dos candidatos precisa ser mais rigorosa e manifestou ressalvas em relação à longa duração dos mandatos no tribunal.
“Eu estou preocupado agora é com o critério de indicação. Estou preocupado com o mandato, O cidadão não pode ser 40 anos 45 anos 35 anos”, disse.
Postura dos magistrados e enriquecimento Durante a conversa, o chefe do Executivo fez críticas à postura adotada por alguns integrantes da corte após a posse.
“Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota toga. E quando o cara coloca a toga, ele vira Deus”, reclamou.
Ele também enfatizou que os ocupantes do cargo devem manter conduta exemplar e recusar qualquer objetivo de acumular fortuna pessoal durante o exercício da função pública.
“Um ministro não pode querer ficar rico, é incompatível a função de quem recebe R$ 43 mil e ficar rico, não é incompatível. Da mesma forma que o deputado. Nenhum salário de deputado, de governador, de presidente, pode deixar alguém rico”, afirmou.
Investigações da Polícia Federal O chefe de Estado abordou ainda as apurações conduzidas pela Polícia Federal que atingem seu filho, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, manifestando convicção na conduta de ambos. Os inquéritos analisam supostas ligações com a lobbysta Roberta Luchsinger.
As apurações da corporação buscam esclarecer se Lulinha cometeu corrupção e tráfico de influência, incluindo investigações sobre uma suposta atuação em benefício de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em tratativas com o Ministério da Saúde.
Dinheiro vivo e pagamento a servidores No âmbito das mesmas investigações, a Polícia Federal encontrou registros indicando que a empresária Roberta Luchsinger utilizava grandes quantias em espécie para repasses financeiros. Mensagens extraídas de celulares mostram a dinâmica executada pelo motorista e auxiliar Ulisses Barbosa.
“Trouxe a mala. Um lado tá os 500k – 500 mil. Dou o outro lado tá o que sobrou da mala, 90 mil mais ou menos”.
Os relatórios policiais apontam que parte desses recursos foi direcionada a Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha, além de ordens para a entrega de dinheiro vivo a funcionários do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.










