Um drone carregado de explosivos em um aeroporto alemão e um ataque contra um trem de passageiros próximo à fronteira com a Polônia evidenciam a nova fase da guerra híbrida conduzida por Moscou. Autoridades ocidentais apontam que essas provocações colocam cidadãos de países da Otan em risco direto e buscam testar a resiliência europeia.

O avanço das operações de sabotagem na Europa

Autoridades de diferentes nações expressaram preocupação com o aumento da intensidade e da letalidade dessas ações. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou que Moscou pode estar tramando novas investidas, enquanto o presidente da França declarou: “Ninguém está seguro”. Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou na Assembleia Geral da ONU que o Reino Unido enfrenta um “ataque em escala industrial” no campo da informação.

O serviço de inteligência de defesa da Dinamarca corroborou esse cenário ao prever ameaças ainda maiores contra aliados da Ucrânia. A estratégia do Kremlin seria tentar gerar pânico para enfraquecer o respaldo internacional a Kiev. Contudo, o secretário-geral da Otan refutou a eficácia dessa tática ao declarar: “A Rússia quer que paremos de ajudar a Ucrânia. As ações deles apenas nos levarão a fazer mais pela Ucrânia.”

A resposta e os dilemas de segurança do Ocidente

Especialistas apontam que a principal mudança reside na audácia operacional russa. Investigadores alemães descobriram que agentes enviaram um drone com explosivos militares para o aeroporto de Leipzig/Halle, enquanto um trem ucraniano foi atingido perto da divisa polonesa. O principal assessor militar da União Europeia, general Sean Clancy, pontuou: “Precisamos estar mais preparados e entender que essa atividade está se tornando praticamente onipresente”.

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Do lado russo, o Kremlin rejeita as acusações. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, culpou o Ocidente e afirmou: “Esta é a guerra híbrida”. Apesar da gravidade dos episódios, analistas de segurança avaliam que Moscou carece de capacidade para uma guerra convencional contra a Otan. A ministra das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Braze, ressaltou: “A Rússia não tem capacidade para desafiar a Otan” e acrescentou que “eles não conseguem mover a frente. Não estão conquistando território.”

Para conter a ofensiva invisível, governos europeus ponderam endurecer sanções e ampliar defesas cibernéticas e aéreas. O tenente-general Krzysztof Krol concluiu sobre o posicionamento dos aliados: “Esta é a mensagem: independentemente das suas ações, Rússia, nós apoiaremos ainda mais a Ucrânia”.