O governo grego descartou qualquer pacto sobre as disputadas peças históricas que implique validar a tutela britânica sobre os tesouros antigos.

A disputa secular pelas relíquias de Fídias

O posicionamento foi reforçado pelo primeiro-ministro do país, Kyriakos Mitsotakis, por meio de um artigo publicado no jornal The Guardian. O chefe de governo foi categórico ao afirmar: “A Grécia não pode aceitar qualquer acordo que a obrigue a reconhecer a propriedade das esculturas pelo Museu Britânico, nem um arranjo que signifique que nós ‘emprestaremos’ partes do nosso próprio monumento”.

Criados pelo escultor grego Fídias durante o século 5º a.C., os Mármores do Partenon compreendem um valioso conjunto de frisos e esculturas. Os artefatos foram removidos da Acrópole de Atenas nos primeiros anos do século 19 por emissários do sétimo Conde de Elgin, na época embaixador do Reino Unido no Império Otomano, período em que o território grego estava sob dominação otomana.

Pressão política e o debate atual

Desde que obteve sua independência do Império Otomano em 1832, o governo de Atenas reivindica de forma contínua a repatriação dos itens. O debate ganhou intensidade recente com a inauguração de um espaço museológico em solo grego estruturado especialmente para abrigar a coleção após sua esperada volta.

Durante o mandato do antecessor conservador Rishi Sunak, o tema gerou forte atrito diplomático. No entanto, o sucessor Keir Starmer indicou que a administração do Reino Unido não criará barreiras para impedir um acerto voltado à restituição das relíquias, de acordo com informações divulgadas no final de 2024. Mitsotakis também mencionou um posicionamento de 2023 de Andy Burnham favorável à solução do impasse de duzentos anos mediante a devolução incondicional, reforçando que “não poderia concordar mais”.

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O paralelo com a Tapeçaria de Bayeux

Diante da recente exibição da Tapeçaria de Bayeux no Reino Unido — obra francesa que retrata a conquista normanda e permanece na França desde o século 15 —, o Museu Britânico sugeriu que tal intercâmbio pudesse servir de modelo para resolver o caso grego.

A hipótese foi prontamente descartada pelo premiê grego, que declarou estar “surpreso” com a sugestão e completou: “Não acredito que seja esse o caso”. Para encerrar o impasse, o líder defende que o momento exige ousadia diplomática. “O que é necessário agora é vontade política e coragem para dar o passo decisivo, reunir as esculturas e transformar uma disputa histórica em um ato único de amizade cultural”, concluiu.