O Google revelou recentemente planos ambiciosos de expandir em até 100% sua capacidade técnica instalada no país até o final da década. Mesmo diante da alta demanda por inteligência artificial e da chegada de incentivos fiscais recentes, a big tech ainda não confirma a construção de uma nova unidade de grande porte em solo nacional.
Demanda dita os passos dos investimentos
Questionado sobre a ausência de planos concretos para um novo complexo durante o Google Cloud Summit Brasil, Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, respondeu com bom humor: “Eu perguntaria para você: por que você acha que o que nós temos hoje não é grande?”.
Em seguida, o executivo ponderou que a expansão financeira da companhia está diretamente atrelada ao consumo do mercado. “Todo o nosso desenho de investimento tem a te ver com a demanda”, afirmou, ressaltando que duplicar a capacidade atual demonstra confiança na adoção de ferramentas de nuvem e inteligência artificial por empresas locais.
O impacto do Redata e os requisitos ambientais
O cenário regulatório brasileiro ganhou tração com a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). A norma diminui tributos sobre hardwares de modernização, mas impõe que 10% do processamento fiquem no país e que os centros operem com energia 100% limpa e renovável.
Sobre a nova legislação, López pontuou: “Eu acho que o Redata ajuda bastante no que é custo operacional das infraestruturas, especialmente quando compramos componentes”. Paralelamente, a corporação investe em iniciativas de descarbonização, como um projeto de remoção de carbono em lavouras gaúchas em parceria com a Terradot, visando abater milhões de toneladas de CO2 até 2040.
Conectividade e data centers lado a lado
A ampliação anunciada contempla a chegada do processamento local de dados do Gemini 3.5 Flash via Gemini Enterprise e a disponibilização de máquinas virtuais com chips Nvidia na região de nuvem paulista. Contudo, dobrar a infraestrutura não equivale necessariamente a erguer um novo campus físico.
De acordo com o executivo, o armazenamento é apenas uma vertente do problema tecnológico. “Quando você fala de latência, quando você fala de soluções, são duas variáveis muito importantes: as infraestruturas — o data center — e a conectividade”, explicou.
A estratégia envolve também cabos submarinos como Firmina, Tannat, Curie e Humboldt, que conectam a nação à rede internacional da empresa. “Nós trabalhamos as duas coisas sempre: a conectividade, com os cabos submarinos que chegam ao Brasil, e nossa infraestrutura no Brasil para dar capacidade de processamento e soberania de dados aqui”, concluiu López.










