Sem a presença de Sergio Moro, candidato do PSD e o do PDT tiveram um enfrentamento direto – e repleto de comentários irônicos

Dois dos principais candidatos a governador do Paraná em 2026 debateram na noite deste domingo (9 de agosto) na TV Bandeirantes. O evento, que teve início às 20 horas, reuniu Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD). Já Sergio Moro (PL), que é o líder das pesquisas eleitorais, decidiu não participar do evento. O anúncio veio horas antes do encontro, com Moro alegando que seus adversários estariam “combinados”.

Com a ausência de Moro, o que se viu na TV Band foi uma “trocação franca” entre Requião e Sandro. Moro, é claro, foi atacado, criticado e até chamado de “covarde” por “fugir” do debate com os outros candidatos a governador. Mas desde a apresentação dos candidatos até as perguntas e respostas, o que se viu foi um verdadeiro bate e rebate, com direito a ironias e críticas diretas.

De um lado, Sandro Alex buscou se colocar como um nome de direita, “acusando” seu adversário de ser de esquerda, ideologicamente alinhado com o PT (Partido dos Trabalhadores) e o governo Lula. Requião Filho, por sua vez, em diversos momentos, respondeu com ironia, chamando o candidato do PSD de “desconhecido”, entre outras coisas.

Além disso, também foram diversos os embates entre “pai” e “padrinho”. Explica-se: de um lado, Sandro Alex criticava os governos de Roberto Requião, pai do candidato do PDT, e defendia a gestão do governador Ratinho Junior (PSD), seu principal apoiador, citando obras como a da Ponte de Guaratuba. Requião, por sua vez, fazia exatamente o contrário: citava os feitos de seu pai e apresentava críticas à atual gestão do Governo do Estado, com menções, principalmente, às privatizações de empresas como a Copel.

PRIMEIRO BLOCO

Requião Filho começou o debate falando que estava ali para deixar claro “quem cuida de CNPJs, e quem cuida de gente”. Sandro Alex, por outro lado, tratou de exaltar a gestão Ratinho Jr. e prometeu dar continuidade ao trabalho do atual governador, garantindo ainda responsabilidade fiscal e apelando para o povo paranaense seguir “unido e em paz”.

A primeira pergunta foi de Sandro, que já criticou a gestão de Requião, o pai, no governo do Estado, citando principalmente o Porto de Paranaguá. Requião Filho respondeu, então, citando que responderia “ao irmão do Marcelo Rangel”, a quem ele conheceria muito bem, o que contrastaria com seu desconhecimento acerca do atual candidato a governador.

O candidato do PSD, então, insistiu nas críticas. Disse que, com Requião, o porto de Paranaguá foi “sinônimo de corrupção e incompetência”. O filho daí reclamou, citando que, logo no Dia dos Pais, Sandro Alex estava atacando o seu pai. E também retrucou, ao fazer uma pergunta com ironia, dizendo que faria um questionamento “para a quarta opção do governador Ratinho Junior”.

A partir dali, Sandro Alex buscou exaltar e se alinhar ao governo do Paraná, à gestão Ratinho Junior, fazendo oposição ao governo federal, de Lula. Foi quando Requião lembrou que o PSD tem mais ministérios no governo Lula do que o PDT.

SEGUNDO BLOCO

O segundo bloco começou com debate sobre Educação. Sandro Alex defendeu as Escolas Cívico-Militares, acusando que seu adversário teria o interesse de fechá-las. Requião Filho, então, prometeu mais investimentos na área e melhores salários não só para professores, mas para todos os funcionários de escolas, criticando a imposição de um modelo militar. Mas Sandro Alex insistiu na defesa das escolas cívico-militares, prometendo ainda ampliar o programa.

“Serão 500 escolas cívico-militares”, disse ele. Hoje há 345 instituições adotando o modelo no estado.

Ao chegar sua vez de perguntar, Requião Filho tratou de recordar a ausência de Moro, a quem chamou de “Sergio, o fujão”. E aí criticou a situação das polícias, ao que Sandro Alex respondeu falando que o Paraná registra os menores índices de criminalidade dos últimos 20 anos e que as carreiras policiais foram reestruturadas, a Polícia Científica reforçada e a Polícia Penal, criada, enquanto o Corpo de Bombeiros ganhou independência.

Na sequência, Sandro Alex recordou a construção da Ponte de Guaratuba, afirmando que seu adversário foi crítico da obra e perguntando se ele mantinha a posição. E ele manteve: “A ponte é muito bonita, o cartão-postal ficou maravilhoso, mas o projeto foi mal planejado e custou caro. O importante não era resolver o problema do Litoral, mas entregar uma obra para a campanha eleitoral”, reclamou o candidato do PDT.

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O político do PSD retrucou dizendo que o Paraná não pode ser governado pelo ódio, afirmando ainda que “parecia até” que Requião seria “a favor da máfia da balsa”. Em seguida, prometeu obras, como a construção do binário de Guaratuba, a duplicação da estrada que leva até Garuva (SC), a duplicação da rodovia de Praia de Leste e a construção da estrada de Guaraqueçaba.

TERCEIRO BLOCO

No terceiro bloco, Requião Filho questionou as privatizações do governo Ratinho Jr, principalmente a da Copel, apontando que o Paraná teria uma das energias mais caras do país e um dos piores serviços. Mas Sandro Alex argumentou que essa privatização, na verdade, foi um processo de “modernização” da Copel, para ampliar a capacidade de atendimento da rede.

Requião, porém, insistiu que a luz está cara. “Uma empresa que era nossa, construída por nós, o orgulho dos paranaenses, foi liquidada no mercado. Venderam a nossa empresa, a nossa história, os nossos ativos, a preço de banana”, disse ele.

Sandro Alex respondeu, então, dizendo que Requião Filho é um “ventilador de mentiras”. E falando que 19 subestações foram construídas nos últimos anos e que o número vai chegar a 50.

“O Sandro Alex é modelo Ratinho Junior. O Requião Filho é modelo Venezuela”, disse o candidato do PSD.

Na sequência, mais um embate entre Roberto Requião e Ratinho Jr. Isso porque Requião Filho acusou que Sandro Alex estaria “se apropriando” de obras, na realidade, pensadas por seu pai. “Quem não tem obras para apresentar, se apropria das obras dos outros.”

Fonte: Bem Paraná