Em dezembro de 1931, economistas se reuniram em Washington para debater a ameaça que a tecnologia representava para os trabalhadores americanos, com operadoras de telefonia sendo substituídas por sistemas automáticos, músicos dispensados por causa dos filmes falados e carroças perdendo espaço para caminhões a gasolina.
A história se repete diante da inteligência artificial Embora os empregos ameaçados agora sejam outros, como programadores, roteiristas e motoristas, as dúvidas econômicas essenciais permanecem as mesmas de quase um século atrás.
Durante aquele encontro histórico, Sumner H. Slichter, economista de Harvard, alertou os colegas: “E, ainda assim, falhamos, em grande parte, em reconhecer que a mudança representa um grande problema social”. Na mesma ocasião, Ewan Clague advertiu sobre a velocidade das inovações: “As mudanças tecnológicas podem ser tão rápidas e abrangentes que todos os fatores de produção podem ficar simultaneamente desempregados”. Clague chegou a sugerir: “Não seria possível criar uma forma de tributar máquinas e equipamentos que ajudasse a desacelerar seu desenvolvimento?”
Fatores cruciais na substituição tecnológica Especialistas apontam que o contexto macroeconômico e o momento da transição fazem toda a diferença, lembrando que a automação telefônica eliminou milhares de postos nos anos 1920, mas os impactos sociais foram muito mais graves porque coincidiram com a Grande Depressão e taxas recordes de desemprego.
A velocidade com que a tecnologia é adotada também determina o nível de sofrimento dos trabalhadores, visto que mudanças abruptas que eliminam funções da noite para o dia deixam pouco espaço para adaptação, enquanto transições graduais permitem que os profissionais migrem de setor de forma orgânica.
Transformações profundas nas profissões Além da extinção de postos, o efeito mais comum da inovação é a completa transformação das ocupações, como ocorreu no século XIX com os fabricantes de botas na Inglaterra, que migraram do trabalho artesanal isolado para fábricas urbanas em massa.
Hillary Vipond destaca que a tecnologia elevou a produtividade e derrubou preços, estimulando a demanda e criando novos mercados, ressaltando que cerca de 60% dos empregos americanos em 2018 pertenciam a ocupações inexistentes em 1940.
Desafios globais e novas incertezas Apesar de a história mostrar que novas ocupações costumam surgir com o tempo, transições abruptas podem deprimir salários por longos períodos e causar sofrimento profundo às gerações afetadas, gerando dúvidas legítimas sobre o futuro.
Kevin Lang resume o dilema atual ao debater com céticos que minimizam os riscos da nova tecnologia: “Tenho colegas que dizem que já nos preocupamos muitas vezes com o fim do mundo e isso nunca aconteceu. Minha resposta é simples: já fiquei doente muitas vezes, mas nunca morri.”










