Durante o lançamento do Small Business AI Institute na sede do banco em Manhattan, o diretor-presidente do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que a maior parte da economia não precisa dos sistemas mais potentes do mercado, mesmo após anunciar um aporte de US$ 500 milhões em inteligência artificial ao lado de gigantes do setor.
O papel dos modelos de fronteira
O executivo explicou que o desenvolvimento tecnológico continuará acelerado, mas defendeu a separação entre as inovações de ponta e os recursos do dia a dia aplicados no comércio. Segundo ele, os chamados modelos de fronteira atendem a setores específicos, como defesa, saúde e cibersegurança, distanciando-se das necessidades cotidianas do empreendedorismo comum.
“Os modelos de fronteira e a forma como eles evoluem serão algo muito, muito interessante”, afirmou o CEO do Goldman Sachs. “Mas há muito pouco do que fazemos em que precisemos de modelos de fronteira”, acrescentou.
Para o dirigente, a pressa em dominar a tecnologia não é necessária, pois a ferramenta ainda envolve custos elevados e exige cautela. “No momento, esta é uma tecnologia cara”, pontuou. “Não acho que você precise olhar para o mundo e dizer: ‘Preciso ser o melhor nisso, preciso dominar isso nas próximas três semanas’.”
Parceria com gigantes da tecnologia
O novo centro de inteligência artificial integra a expansão do programa 10,000 Small Businesses, que já capacitou cerca de 20 mil empreendedores desde 2010. Para esta fase, a iniciativa conta com a participação de Anthropic, Google, Meta e OpenAI na oferta de treinamentos, materiais educacionais e workshops práticos.
Dados de uma pesquisa conduzida pelo Babson College apontam que 86% dos empresários já utilizam recursos tecnológicos em suas operações, superando os 56% registrados em 2024. Contudo, 77% dos entrevistados relataram a necessidade de obter mais capacitação para integrar as ferramentas de forma definitiva aos seus processos centrais.
Impacto na produtividade e no emprego
A estratégia do banco foca no ganho de eficiência sem a necessidade de elevar despesas fixas. De acordo com o levantamento interno, a maioria dos participantes que recorre à tecnologia não modificou o quadro de colaboradores, direcionando o tempo economizado para planejamento estratégico, marketing e novos produtos.
Empreendedores presentes no evento compartilharam suas experiências práticas. Allison Dunn, proprietária de uma cafeteria, relatou que utiliza as ferramentas digitais como apoio para tarefas administrativas, organização de rotinas e elaboração de cardápios, tratando sempre os resultados como um rascunho inicial.
Por sua vez, Hagan Walker, cofundador de uma marca de brinquedos, destacou o uso constante de agentes automatizados para otimizar processos logísticos e analisar dados de publicidade, ressalvando que a criação de ilustrações e conteúdos protegidos por direitos autorais continua sob responsabilidade humana.
O instituto liderado pelo banco americano se estruturará em pilares de capacitação, investigação sobre o comportamento digital dos pequenos negócios e facilitação de crédito. “O acesso a capital continua sendo uma limitação”, concluiu Solomon.










