O cenário de instabilidade geopolítica global tem levado autoridades monetárias a intensificarem a aquisição do metal precioso, além de adotarem maior cautela sobre a custódia desse patrimônio. Tensões no Oriente Médio, o conflito no leste europeu e as políticas tarifárias de Donald Trump impulsionaram essa corrida.
Compra de ouro dispara quatro vezes acima da média histórica Levantamento aponta que as aquisições atingiram 79 toneladas em agosto, patamar superior a quatro vezes a média mensal verificada antes de 2022. Nos últimos três meses, o ritmo tem se mantido em cerca de 85 toneladas mensais. A China lidera as compras públicas com 25 toneladas no mesmo mês, embora o volume total possa ser ainda maior devido a operações não divulgadas.
Desdolarização e estoques de países desenvolvidos Especialistas apontam que a tendência de reduzir a dependência de moedas do G7, sobretudo do dólar, continua forte. Enquanto nações emergentes compram, os países desenvolvidos focam na repatriação e na segurança de seus estoques já existentes.
A nova preocupação: onde guardar o ouro A preocupação com crises levou o banco central da Holanda a transferir 86 toneladas de Nova York e Ottawa para Londres. A justificativa foi a busca por maior agilidade em momentos de estresse financeiro.
“O ouro armazenado no Banco da Inglaterra é considerado o mais líquido e negociável do mundo”, afirmou a instituição.
Movimento idêntico foi adotado pelo Banco da França, que reduziu posições em solo americano e reforçou estoques na Europa. Dados do setor indicam queda de 40 toneladas nas reservas guardadas no Federal Reserve de Nova York em agosto, enquanto o Banco da Inglaterra registrou alta de 46 toneladas.
Falta de transparência e descentralização O sigilo também avança: 12% dos bancos centrais recusaram-se a informar a localização de seus ativos neste ano, superando os 10% do período anterior. A estratégia atual envolve descentralizar os ativos e priorizar a guarda dentro do território nacional. A incerteza permanece alta, com quase um quinto das instituições preferindo ocultar o destino futuro de suas reservas nos próximos meses, transformando a segurança física do metal em prioridade estratégica global.










