O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu seus compromissos públicos de campanha para se dedicar exclusivamente aos preparativos para o debate da TV Globo, agendado para esta sexta-feira (23/10), que marca o último confronto direto antes do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Estratégia e mudanças no formato

O petista planeja passar os dias de quinta e sexta-feira reunido com aliados estratégicos para ajustar seu desempenho em relação ao primeiro embate. A coordenação da campanha tem pressionado a emissora por alterações na dinâmica do programa, incluindo uma exigência formal para que ocorra uma checagem imediata das declarações proferidas pelos postulantes ao longo do evento.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira — atualmente licenciado do cargo para atuar na disputa eleitoral —, lidera as negociações com a emissora sobre essa pauta. A avaliação interna é de que o confronto não pode abrir margem para a disseminação de dados falsos.

Sobre o tema, o presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, declarou:

“O debate não pode ser um instrumento de desinformação. O debate tem que ser um instrumento de formação de opinião do eleitor. Então, o correto é que haja uma checagem de cada resposta dos dois candidatos para saber quem está falando a verdade e quem está mentindo para o eleitor em um momento tão decisivo”

Postura no palco e dados da Quaest

Para evitar novas investidas do adversário, assessores recomendaram que o chefe do Executivo mantenha maior estabilidade junto ao púlpito durante o programa da TV Globo, reduzindo a movimentação pelo cenário para prevenir situações semelhantes às registradas no debate da Band, quando o oponente se posicionava constantemente às suas costas.

O esforço ocorre em meio a um cenário de acirramento na disputa. Levantamento da Quaest divulgado recentemente aponta o candidato do PL com 45% das intenções de voto, enquanto o atual mandatário registra 44%, configurando um cenário de empate técnico. Os eleitores indecisos somam 2%, enquanto brancos e nulos totalizam 5%.

Análise de rejeição e novos cenários

Apesar da paridade numérica, os aliados comemoraram índices internos da mesma pesquisa. O primeiro ponto destacado foi a queda na rejeição a Lula, que passou de 53% para 47% em uma semana, enquanto a desaprovação de Flávio Bolsonaro oscilou para 52%.

Leia também

Outro indicador celebrado foi a expansão do eleitorado indeciso na modalidade espontânea, que subiu de 7% para 14% no mesmo período, refletindo a volatilidade da reta final. Um assessor avaliou o movimento afirmando que “Isso significa que o voto está em disputa”. Além disso, o receio em relação ao retorno da família Bolsonaro ao poder alcançou 44%, superando os 42% que temem a continuidade da atual gestão.

Ação jurídica no TSE

Paralelamente à preparação para o embate televisivo, a coligação protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a chapa de Flávio Bolsonaro e de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), por suposto favorecimento sistêmico por parte da Meta.

A peça jurídica alega abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, requerendo tutela de urgência e a inelegibilidade por oito anos do senador, do influenciador Pablo Marçal e do empresário Tallis Gomes. A defesa aponta que recursos tecnológicos das plataformas digitais operaram em benefício de um grupo e em detrimento da campanha adversária.

Em nota oficial, a Meta rejeitou qualquer acusação de interferência no pleito ou viés partidário, atribuindo as falhas operacionais relatadas a questões estritamente técnicas.