A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionou o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na noite de terça-feira (20). A equipe jurídica do senador solicitou esclarecimentos formais a respeito do impulsionamento de páginas favoráveis ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas plataformas digitais.
Questionamentos sobre o canal Exército do Lula
No centro da ação judicial está o canal no WhatsApp intitulado “Exército do Lula”, que ultrapassou a marca de 6 milhões de seguidores na noite de terça-feira. A defesa do candidato do PL quer entender por que o WhatsApp “não identificou sinais de comportamento coordenado” nessa estrutura de mensagens em massa, capaz de alcançar milhões de usuários rapidamente.
De acordo com os advogados, existe o risco iminente de que essa poderosa ferramenta de mobilização seja utilizada “contra o adversário e contra a própria Justiça Eleitoral” durante os dias decisivos que antecedem o pleito. A coordenação das ações no espaço é feita pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
Estratégia de buscas e o papel de Janones
A petição entregue ao tribunal destaca episódios ocorridos após o debate da TV Bandeirantes, realizado no domingo (18). Segundo a denúncia, o canal orientou os participantes a realizarem buscas em massa no Google utilizando termos específicos contra o adversário político, além de coordenar o uso de hashtags no X.
A defesa reproduziu um trecho da argumentação jurídica para ilustrar a dinâmica observada: “O que o canal faz é o inverso: não espera o interesse nascer, fabrica-o por ordem. Uma única conta emite o comando, milhares de pessoas executam ao mesmo tempo, e o algoritmo lê o comando como se fosse interesse real”, dizem os advogados de Flávio.
Enquanto isso, Janones estabeleceu o objetivo de alcançar 7 milhões de seguidores no canal até o meio-dia de quarta-feira, determinando uma pausa nas postagens até que a nova meta numérica seja atingida.
Pedidos formais encaminhados à Justiça Eleitoral
Diante desse cenário, a equipe jurídica solicitou que o TSE determine à Meta — empresa responsável por WhatsApp, Facebook e Instagram — a entrega de relatórios detalhados sobre o vídeo publicado por Janones, sua propagação e os perfis responsáveis pela replicação do conteúdo.
Além disso, o documento pede que Google, X e Meta adotem protocolos para identificar e bloquear a amplificação artificial originada em canais de temática eleitoral. Os advogados também exigem o fornecimento de dados financeiros e técnicos sobre anúncios favoráveis ao candidato petista.
Entre as informações requisitadas à Meta estão os valores investidos, o histórico completo de veiculação, o alcance geográfico e demográfico, além dos critérios de segmentação utilizados e as categorias em que os anúncios foram cadastrados.










