A Eneva se colocou como a principal candidata para preencher o vácuo deixado pelos empreendimentos da EPP (Evolution Power Partners) no leilão de reserva de capacidade, caso a agência reguladora confirme a exclusão dos concorrentes.

Desafios de prazos e fornecedores

O CEO da Eneva, Lino Cançado, ressaltou que o cronograma atual para a conclusão das obras está muito apertado. Durante entrevista recente, o executivo pontuou que o período disponível para a execução — que antes era de trinta meses — caiu para menos de dois anos, exigindo superação de obstáculos na obtenção de licenças, contratação de parceiros e compra de maquinário.

“Certamente os projetos sofrerão atrasos e aí vai ter uma discussão de quanto a Aneel vai dar de prazo adicional para aquelas empresas que sejam habilitadas nessa hipótese para elas poderem se organizar e entregar os projetos”, afirmou.

A controvérsia gira em torno da decisão da Comissão Permanente de Leilões, que barrou consórcios da EPP somando cerca de 1,7 GW por falhas na comprovação de qualificação econômico-financeira. Enquanto a EPP tenta reverter o veto, empresas como Eneva e Global Participações em Energia aguardam na fila.

Vantagem competitiva e mercado

Enquanto os cronogramas voltados para 2029 contam com tempo hábil, o atendimento aos prazos de 2028 exigirá esforço redobrado, embora viável na visão da diretoria.

“Nós estamos posicionados no mercado de equipamento, temos condições tranquilamente de entregar 2029 e 2028 nós também temos condições”, disse.

Leia também

Para fundamentar sua competitividade, a companhia destacou sua robustez financeira, além de parcerias estratégicas com gigantes globais do setor, sendo a principal cliente da GE Vernova na América do Sul e mantendo laços com a Siemens Energy. A Âmbar, divisão de energia do grupo J&F, também monitora a situação e firmou acordo de opção de compra sobre os ativos da EPP.

Alerta sobre o sistema elétrico

Por fim, a gestão da Eneva chamou atenção para as consequências de uma indefinição prolongada na garantia de suprimento de energia ao país, alertando que a falta de reposição rápida da potência pode gerar gargalos estruturais severos para a próxima gestão federal.

“Já existe um buraco de potência no sistema para 2028 que já é conhecido. Então, se isso não se resolver logo e se não tiver um empreendedor com capacidade e com confiabilidade que vai entregar, eu diria que o próximo governo, seja quem for, já vai entrar com esse problema para resolver”, afirmou.