O Conselho de Supervisão da Meta manifestou apreensão diante de repetidos equívocos na fiscalização de publicações e propagandas durante o período eleitoral no Brasil. Em manifestação divulgada nesta terça-feira, o colegiado independente exigiu revisões nos procedimentos operacionais da multinacional, alertando para a necessidade de proteger a livre circulação de ideias no debate político e evitar desequilíbrios nas disputas eleitorais.

Bloqueio a anúncios de Lula motivou alerta do conselho

O documento cita como episódio emblemático a exclusão da conta de publicidade utilizada pela chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O colegiado apontou que a empresa oscila prejudicialmente entre a negligência e o excesso de rigor na aplicação de seus termos de uso.

A respeito do caso envolvendo a campanha presidencial, o órgão de controle interno enfatizou:

“Da mesma forma, a aplicação excessiva das políticas antifraude da Meta contra as contas de anúncios do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas”

A própria empresa reconheceu ter incorrido em um erro técnico ao derrubar a conta do candidato. Na ocasião, sistemas automatizados de triagem classificaram equivocadamente um informe publicitário sobre um programa governamental como sendo uma tentativa de golpe.

Instabilidades globais e questionamentos judiciais

As intercorrências geraram atritos que chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), provocado formalmente pela equipe jurídica de Lula. Ao prestar esclarecimentos à Corte, a gigante da tecnologia relatou que um problema técnico mundial impediu a medição de visualizações em publicações no dia 7 de outubro, entre 1h50 e 19h49.

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A companhia sustentou que a falha afetou usuários em escala planetária, rebatendo insinuações de que teria prejudicado deliberadamente candidaturas de esquerda ou favorecido determinados polos ideológicos.

Cobrança por critérios claros e consistência

No entanto, a repetição de falhas operacionais alimentou desconfianças de apoiadores e acusações de favorecimento político. O órgão fiscalizador ressaltou a gravidade desse cenário e reforçou a exigência de mais transparência e rigor institucional nas práticas da plataforma:

“Desde a remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos EUA antes das eleições de meio de mandato até restrições técnicas que afetaram as contas de um candidato à presidência no Brasil, levando a alegações de interferência eleitoral, fica claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de fiscalização durante as eleições sejam transparentes e consistentes e que a liberdade de expressão política seja protegida, em vez de reprimida.”