O primeiro confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela TV Bandeirantes no último domingo (18), abriu uma nova fase de disputas de bastidores. Passada a transmissão, os comitês de campanha de ambos os concorrentes se debruçam sobre os acertos e falhas de seus desempenhos com o objetivo imediato de neutralizar o adversário nas plataformas digitais.

Estratégia de cortes e embates na cena petista

No núcleo lulista, a avaliação é de que o presidente conseguiu manter o perfil “propositivo” planejado pela coordenação de campanha. Em contrapartida, os assessores reclamam da postura adotada pelo candidato do Partido Liberal, apontando que o parlamentar fugiu de responder a pontos sensíveis levantados pelo mandatário.

Entre os temas ignorados pelo parlamentar estariam a votação contrária à expansão da licença-maternidade para servidores públicos fluminenses e o trabalho jurídico em favor de um policial acusado do assassinato de Ana Clara, garota de cinco anos. Para o entorno de Lula, o oponente priorizou frases de efeito decoradas para abastecer a produção de vídeos curtos na internet.

Os petistas também criticaram o fato de que o senador “passeou” pelo palco durante as falas de Lula para interferir na captação de imagens favoráveis ao petista — um artifício similar ao empregado por Pablo Marçal nas eleições paulistanas, que agora atua na equipe de Flávio. O contra-ataque da campanha governista mira colar no senador a imagem de “desrespeitoso” e “despreparado”.

Ofensa regional e performance corporal

Do lado bolsonarista, o diagnóstico interno aponta uma curva de crescimento de Flávio no decorrer do programa. O movimento de se posicionar logo atrás do presidente enquanto este discursava foi celebrado como um acerto para ampliar o tempo de exposição em tela, expor reações imediatas e tentar quebrar a concentração do líder petista.

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Outro ativo que os apoiadores de Flávio pretendem intensificar nas redes é o uso do termo “malandro carioca”, dito por Lula contra o adversário. A leitura política é de que a fala soa como afronta direta aos eleitores do Rio de Janeiro, colégio eleitoral visto como determinante nesta reta final. Natural de Resende e com trajetória construída na capital fluminense, o senador fez questão de prestar solidariedade aos cidadãos locais ainda no palco.

A equipe do PL também comparou aspectos técnicos e formais da comunicação. Aliados ressaltaram que Flávio demonstrou vigor, teve dicção superior e cumpriu ritos básicos ao cumprimentar com um “boa noite” na abertura e reforçar o número de urna na despedida — etapas em que Lula teria falhado.

Apesar dos balanços particulares de vitória em pontos específicos, interlocutores de ambos os lados admitem que o encontro foi dominado por ataques mútuos, com pouca ênfase em diretrizes de governo e baixa capacidade de atrair o eleitorado que ainda não definiu seu voto.