A corrida do Athletico por uma vaga direta na próxima Copa Libertadores ganhou contornos de preocupação após o revés por 2 a 0 diante do Palmeiras, em duelo válido pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mais do que o resultado negativo frente a um adversário de alto investimento, a partida escancarou a escassez de alternativas em um elenco bastante desgastado por lesões.
Início desastroso e repertório ofensivo limitado
Com ausências determinantes, o técnico Odair Hellmann foi obrigado a redesenhar a equipe titular. Sem o lateral-esquerdo Esquivel, que vinha sendo utilizado na zaga, o comandante precisou improvisar o volante Luiz Gustavo no setor defensivo, abrindo espaço para Felipinho no meio de campo. Na frente, Leozinho seguiu na vaga do lesionado Kerwin Vargas.
A falta de entrosamento da formação cobrou um preço imediato: com apenas nove minutos de bola rolando, os paulistas já construíram a vantagem de dois gols. Atrás no marcador, o Furacão até aumentou a posse de bola no campo de ataque, mas tornou-se previsível. A equipe insistiu em cruzamentos facilmente afastados pelos defensores alviverdes ou controlados pelo goleiro Carlos Miguel. Isolados pela marcação forte, atacantes como Kevin Viveros e o próprio Leozinho não conseguiram produzir lances de perigo.
Insegurança debaixo das traves e nova baixa médica
Além da pane defensiva nos instantes inaugurais, a atuação individual no gol voltou a preocupar. Promovido ao time principal em setembro para substituir Santos — que acumulava atuações irregulares —, o goleiro Mycael ainda não conseguiu transmitir a segurança esperada e voltou a conviver com falhas que pesam nos placares recentes.
A situação ganha contornos ainda mais dramáticos no departamento médico. Além de Dantas, Esquivel, Benavídez e Kerwin Vargas, o clube somou mais uma dor de cabeça: Claudinho. Acionado durante a segunda etapa, o lateral-esquerdo atuou por apenas sete minutos antes de cair no gramado. A suspeita é de lesão no ligamento cruzado anterior (LCA), o que pode tirá-lo de combate pelo restante do ano. O elenco ainda lida com desgaste de atletas como Arthur Dias e Leozinho, que já haviam acusado desconforto físico diante da Chapecoense.
Pressão e sequência como visitante
Embora faça uma campanha consistente que sustenta o clube entre os primeiros colocados, o Furacão vê seus perseguidores diretos encostarem — caso do Atlético-MG, que assumiu a quinta colocação. O momento exige gestão cirúrgica das peças disponíveis.
O calendário agora reserva dois confrontos longe de casa: contra Vitória e Grêmio, oponentes que figuram na luta contra a zona de rebaixamento. Mesmo diante de equipes fragilizadas na tabela, o Athletico terá de encontrar solidez imediata para somar pontos fora de seus domínios e se blindar no pelotão de classificação continental.









