Os protestos que tomam conta da França atingiram um patamar crítico neste sábado (17/10), completando mais de duas semanas de mobilizações que agora se espalham por várias cidades do país com episódios severos de violência, confrontos com as forcas de segurança e prisões em massa.
Cidades afetadas e saldo de prisões
De acordo com agências de notícias e com a imprensa local, os atos tomaram as ruas das cidades de Paris, Marselha, Angers e Lyon, dentre outras. Os manifestantes protestam contra o alto custo de vida no país.
Conforme balanço divulgado pelo Ministério do Interior do país, 272 pessoas tinham sido presas até a tarde de hoje em meio a ocorrências violências registradas nas diversas cidades francesas. Registros em redes sociais mostram veículos e edifícios consumidos pelo fogo, além de grupos encapuzados circulando pelas ruas.
Alvos de vandalismo e incêndios
Entre os pontos que foram atingidos, a prefeitura da cidade de Limoges foi incendiada. Em Gironde, a residência oficial do prefeito foi saqueada pelos manifestantes. A prefeita da cidade, Sophie Brocas, condenou “nos termos mais fortes possíveis” os danos causados ao local e também os saques registrados em lojas no centro de Gironde.
O mesmo ocorreu com a prefeitura de Marselha. De acordo com o dirigente local, a prefeitura teria sido vandalizada. Em Paris, a capital francesa, manifestantes encapuzados foram alvo de bombas de gás lacrimogênio, que foram lançados pela polícia.
Origem dos atos e expansão internacional
As manifestações tiveram início ainda em setembro, quando centenas de pessoas foram às ruas protestar contra condições precárias no sistema educacional francês. Os atos foram motivados pela falta de professores e estruturas escolares precárias nos subúrbios do país.
A tensão aumentou após uma ação policial registrada no dia 5 de outubro, na cidade de Lens, quando um estudante de 15 anos perdeu a mão após a explosão de uma granada de efeito moral. Após o ocorrido, o ministro do Interior do país, Laurent Nuñez, suspendeu o uso do artefato nos atos estudantis.
Logo os atos se espalharam para diversas regiões, se transformando em um movimento mais amplo, com foco na desigualdade e gastos públicos. As manifestações não se restringiram à França, outros países na Europa e até mesmo na América do Sul, também registraram protestos nos últimos dias e neste sábado com motivação semelhante a dos franceses.
Conflitos já foram registrados na Albânia, Itália, Espanha e Bélgica. Na região sul-americana, protestos foram observadas na Colômbia, Argentina e Chile. Apesar de pautas diferentes, as manifestações têm a mesma raiz: o desgaste da população com cortes de gastos públicos, serviços precários, além do aumento do custo de vida.










