O empresário amazonense Victor Simões faleceu neste sábado em decorrência da queda de uma aeronave que ele mesmo pilotava no município de Orlândia, localizado no interior de São Paulo. A vítima era acionista de um dos maiores conglomerados industriais da região Norte e estava em território paulista com o objetivo de acompanhar uma competição de hipismo da filha.
Tradição empresarial e chegada da Coca-Cola ao Norte
O conglomerado tem raízes históricas profundas na economia amazonense. Conforme registros comemorativos de 80 anos da corporação, a trajetória teve início com o avô de Victor, Antônio Simões, que começou a trabalhar aos 12 anos em uma padaria em Manaus. O patriarca fundou a sorveteria Moderna em 1943 e, anos mais tarde, em 1957, iniciou a produção de massas e biscoitos na capital do estado.
O ponto de virada para a grande expansão ocorreu na década de 1970, período em que uma sociedade assumiu a franquia da Coca-Cola em Manaus, tornando-se responsável por introduzir a marca na região Norte. Paralelamente, o conglomerado criou o guaraná Tuchaua e abriu sua primeira unidade produtora de gás carbônico para abastecer o setor de bebidas. A partir de 1976, a atuação avançou para o Pará, consolidando presença em praticamente toda a área setentrional do país.
Diversificação de mercados e fusões recentes
Ao longo das décadas seguintes, a atuação empresarial foi ampliada para novos setores. Em 1994, o grupo ingressou no mercado automotivo com a abertura da Murano, concessionária Fiat em Manaus, seguida em 1999 pelo lançamento da Shizen, voltada para veículos da Honda. Já em 2022, as operações de bebidas se uniram à Solar Bebidas, intensificando a capacidade produtiva e de distribuição da Coca-Cola. Mais recentemente, em 2023, o conglomerado passou a atuar no segmento de logística portuária por meio do Terminal Portuário de Novo Remanso.
Repercussão e homenagens no meio político e empresarial
A tragédia gerou forte comoção entre lideranças políticas e empresariais. O prefeito de Manaus, Renato Junior, classificou o episódio como doloroso na rede social X e afirmou: “Um homem trabalhador, que acreditava em Manaus e há anos investia no crescimento da nossa cidade”. O senador Eduardo Braga também utilizou a mesma plataforma para declarar que lamenta “profundamente” o falecimento, acrescentando: “Não há palavras capazes de aliviar a dor de uma família pela perda de um filho”.
Diretor institucional da XP Inc., Rafael Furlanetti relembrou o contato que teve com a história familiar ao receber uma obra literária das mãos do próprio empresário. “O patriarca, Antônio de Andrade Simões, começou menino no balcão de uma padaria em Manaus, virou sócio dela e, em 1970, levou a primeira fábrica da Coca-Cola para o Norte do país. Acordei hoje com a notícia. Meus sentimentos à família. Que Deus o receba”, escreveu.
Victor Simões era neto de Antônio Simões e filho de Antônio Silva, atual presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).










