A autoridade antitruste do Reino Unido propôs classificar a Microsoft como uma empresa com posição estratégica no mercado de softwares empresariais. A medida pode levar a novas regras para a oferta conjunta de produtos como Excel, Teams e Copilot, assistente de inteligência artificial da companhia.
O cerco regulatório e o impacto no mercado
A investigação busca determinar se a posição da empresa restringe a concorrência e limita as escolhas dos clientes. A Microsoft contesta a avaliação, e a decisão final está prevista para fevereiro. A Autoridade de Concorrência e Mercados iniciou a apuração em maio, mirando programas que são usados por cerca de 20 milhões de pessoas por mês no Reino Unido.
Na sexta-feira (16), o órgão afirmou que a Microsoft tem uma posição forte em sistemas operacionais para computadores, ferramentas de produtividade, segurança, servidores e gerenciamento de bancos de dados. Segundo a CMA, as dificuldades para trocar de fornecedor ajudam a sustentar essa posição.
Exigências e debate sobre inteligência artificial
A proposta de classificação permitiria ao regulador estabelecer exigências específicas para estimular a concorrência. Entre os pontos sob análise estão a liberdade para escolher ferramentas de inteligência artificial, as condições para que concorrentes disputem espaço com o Copilot e os possíveis efeitos da oferta conjunta de produtos de segurança. A CMA também examinará como as práticas de licenciamento da Microsoft afetam as opções de serviços de computação em nuvem.
A diretora-executiva do órgão, Sarah Cardell, ressaltou a importância desses serviços para empresas e órgãos públicos britânicos.
“As organizações devem poder escolher os produtos que funcionam melhor para elas, trocar de fornecedor quando quiserem e combinar serviços de diferentes empresas”, afirmou em nota.
Defesa da empresa e cenário internacional
A Microsoft rejeita a avaliação da CMA e defende a compatibilidade de seus produtos com serviços concorrentes. Em declaração à Reuters, um porta-voz da companhia afirmou:
“Todos os nossos produtos — incluindo o Copilot — são abertos e interoperáveis, permitindo que os clientes os utilizem junto com serviços concorrentes.”
A autoridade britânica receberá manifestações sobre a proposta antes de tomar uma decisão definitiva, prevista para fevereiro. Se a classificação for confirmada, a Microsoft será a terceira empresa submetida aos novos poderes britânicos para regular mercados digitais. O Google, controlado pela Alphabet, já recebeu essa designação no mercado de buscas. Em outubro de 2025, Google e Apple também foram enquadradas nas regras aplicáveis às plataformas móveis.
Barreiras na nuvem e próximos passos
A discussão sobre concorrência também alcança os serviços de computação em nuvem. A CMA afirmou que Microsoft e Amazon Web Services ainda precisam facilitar a troca de provedores e o uso simultâneo de serviços de diferentes empresas. As duas companhias já adotaram medidas para reduzir esses obstáculos, mas o regulador considera que o trabalho não terminou.
O órgão manterá sob avaliação a possibilidade de abrir uma investigação formal sobre o setor. A Microsoft afirma que sua posição no mercado de nuvem não justifica uma designação específica no regime britânico de concorrência digital. A AWS também recebeu positivamente a atualização e destacou investimentos feitos em 2026 em inteligência artificial, ambientes multicloud e padrões abertos.
A decisão sobre os softwares empresariais poderá afetar a maneira como a Microsoft combina e comercializa seus produtos no Reino Unido. O resultado também ajudará a definir o alcance das novas regras britânicas para ampliar a concorrência nos mercados digitais.










