Uma iniciativa inédita nos Estados Unidos pode transformar drasticamente a forma como os consumidores se relacionam com as compras de jogos digitais. O deputado democrata Ritchie Torres, de Nova York, revelou que vai submeter ao Congresso americano o projeto Power To The Players Act, criado para assegurar que os compradores mantenham o acesso aos títulos adquiridos mesmo após o fim do suporte corporativo.
O fim das licenças revogáveis
O centro do debate levantado pelo parlamentar questiona se a aquisição de um software em plataformas virtuais configura propriedade real ou apenas uma permissão de uso passageira que pode ser anulada a qualquer momento pelas produtoras.
Em entrevista ao Kotaku, Torres defendeu uma regra simples para o mercado: quem paga por um jogo deve ter o direito de possuí-lo.
Se aprovada, a lei forçará a Federal Trade Commission (FTC), órgão de defesa do consumidor no país, a criar diretrizes firmes para proteger os direitos dos usuários de videogames. Entre as obrigações previstas, as companhias precisarão fornecer alternativas offline para softwares dependentes de internet, permitindo que continuem jogáveis após o desligamento dos servidores centrais.
Impacto prático nos consoles
A urgência da medida é ilustrada por casos recentes na indústria, como o título NBA 2K25. De acordo com a própria 2K Games, o software sairá das lojas virtuais em 30 de outubro de 2026, com o encerramento definitivo dos servidores programado para 1 de janeiro de 2027, inutilizando recursos online para quem pagou pelo produto.
O debate ganhou tração internacional impulsionado pela campanha Stop Killing Games, que pressiona governos contra a prática de tornar mídias interativas totalmente injogáveis após o término do suporte oficial. O avanço das mídias digitais acendeu o alerta sobre o desperdício financeiro das famílias, que investem alto em entretenimento efêmero.
Próximos passos e resistência do mercado
Apesar do anúncio de impacto, o texto do projeto ainda tramitará pelas comissões legislativas americanas e deve encontrar forte oposição de grandes distribuidoras, principalmente devido às exigências de suporte offline e transferência de licenças. Por enquanto, a medida restringe-se exclusivamente aos jogos eletrônicos, deixando de fora outras mídias como filmes e áudios, mas tem potencial para redefinir o futuro do mercado de games globalmente.










